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Oncoclínicas (ONCO3) entrará com proteção na Justiça contra vencimento antecipado de dívidas; entenda

13 abr 2026, 10:10 - atualizado em 13 abr 2026, 10:10
Oncoclínicas
(Imagem: Divulgação)

A Oncoclínicas (ONCO3) entrará com uma ação de tutela cautelar em caráter antecedente na Justiça de São Paulo contra seus credores, mostra fato relevante divulgado nesta segunda-feira (13).

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Por meio do mecanismo, a empresa, junto com suas afiliadas, pede a suspensão liminar dos efeitos de todas as cláusulas contratuais que imponham o vencimento antecipado de dívidas, além de suspender a exigibilidade das obrigações referentes aos instrumentos financeiros e as instituições relacionadas.

De acordo com a Oncoclínicas, a decisão de entrar com um pedido de tutela cautelar visa criar um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável, permitindo a mediação e negociação com seus credores sem paralisar as atividades ou alterar a condução do negócio.

Na justificativa, a rede de oncologia cita um atual cenário macroeconômico e setorial desafiador, no entanto, a companhia acumula problemas financeiros decorrentes de uma expansão mal-sucedida.

Após direcionar investimentos para hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.

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“A companhia esclarece que permanece operando normalmente e continua empenhada em manter conversas positivas com seus credores visando ao atingimento de um acordo que seja benéfico a todos os seus investidores”, diz o fato relevante.

A situação na Oncoclínicas

Na última semana, a Oncoclínicas reportou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025, aumentando as perdas de R$ 759 milhões que já haviam sido registradas no mesmo período de 2024.

A companhia apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024.

A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.

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O JP Morgan avaliou os números do trimestre como abaixo do esperado, impactados pela queda de receita, que reflete a redução de volumes diante de uma estratégia recentemente implementada para diminuir a exposição a pagadores de menor qualidade, que exigem prazos de pagamento mais longos.

Na leitura da equipe de analistas liderada por Joseph Giordano, as limitações no balanço estão restringindo os volumes de serviços, devido à oferta limitada de medicamentos.

Além do resultado abaixo do esperado, os auditores independentes destacaram o capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões, principalmente como consequência do descumprimento de covenants financeiros nos contratos de financiamento.

Covenants nada mais são do que cláusulas contratuais presentes em empréstimos e debêntures que determinam níveis saudáveis em que a companhia deve se manter, como limite de endividamento. É uma maneira de proteger credores de inadimplência.

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A Oncoclínicas já vinha sinalizando dificuldade de lidar com os covenants, tendo convocado assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre um waiver para um eventual não cumprimento do índice de alavancagem. Um waiver consiste em uma exceção/dispensa à regra.

Parte dos credores concederam o waiver, no entanto, outros ainda estão em negociação, principalmente no que diz respeito à debêntures mais pulverizadas.

O índice de alavancagem da Oncoclínicas está em 4,3 vezes, acima dos limites de covenants. A quebra levou à reclassificação da dívida de longo prazo para o curto prazo, uma vez que os credores passaram a ter o direito de exigir o pagamento antecipado dessas obrigações.

“Essas circunstâncias, combinadas com outros fatores, indicam uma incerteza relevante que pode ‘levantar dúvidas significativas sobre a capacidade da companhia de continuar operando’, segundo a própria empresa, especialmente diante da ausência de geração de fluxo de caixa livre”, destacou o JP Morgan.

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De acordo com apuração do Valor Econômico, a Oncoclínicas ainda precisa endereçar a possibilidade de demissão conjunta de médicos, que se posicionaram diante da falta de pagamentos que já atrasa o tratamento de 6 mil pacientes.

O que aconteceu com a empresa?

Nascida há 15 anos em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.

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Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e cancelamento de hospital que seria construído. Além disso, a empresa desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.

Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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