Oncoclínicas questiona na Justiça posição acionária do BRB vinda do Master, diz jornal
A Oncoclínicas (ONCO3) teria entrado com processo, que corre em segredo de Justiça, contra o Banco de Brasília (BRB), questionando a quantidade de ações da companhia que o banco público detém, segundo noticiou o Valor Econômico.
De acordo com informações do jornal, pessoas próximas à operação estimam que a participação do banco público na Oncoclínicas tenha superado 10% após a incorporação de carteiras do banco Master.
A Oncoclínicas conta com uma cláusula de poison pill, mecanismo que dispara a necessidade de uma oferta pública de ações (OPA) pelo acionista que chegar a 15% de participação no capital. Além disso, há uma regra em que qualquer investidor deve comunicar ao mercado quando atinge participação de 5%, esclarecendo se existe intenção de controle ou não.
O Money Times procurou a Oncoclínicas, que, sem negar, disse que não irá se posicionar sobre o assunto. O BRB não retornou até o momento de publicação desta matéria. O espaço segue aberto para comentários.
A ligação entre BRB, Oncoclínicas e Master
Segundo apuração do Valor, ações da Oncoclínicas que pertenciam a um fundo ligado ao Master foram dadas em garantia ao BRB.
Em 2024, o Master entrou como acionista na companhia de saúde especializada em oncologia, após injetar R$ 1 bilhão em um amento de capital.
No entanto, essa participação caiu para 8,68% após o banco de Daniel Vorcaro não acompanhar o segundo aumento de capital realizado pela companhia, conforme apontou o Valor.
Hoje, a estrutura acionária da Oncoclínicas, disponível no site de Relações com Investidores, aponta uma participação de 8,68% do BRB.
Em comunicado de terça-feira (27), o BRB, sem mencionar o nome da Oncoclínicas, informou ao mercado “o recebimento de fundos de investimento como dação em pagamento, com condições de cessão previstas contratualmente, sendo esses fundos administrados e geridos por empresas terceiras, cujas decisões de investimentos não foram realizadas pelo BRB”.
Segundo o banco, os fundos e seus respectivos ativos encontram-se em processo de validação técnica e avaliação (valuation), com o objetivo de assegurar precisão quanto à sua composição, valores e conformidade, mitigando qualquer dúvida ou questionamento do mercado.
Relação do BRB com o Banco Master
O BRB teve impacto direto da crise do Banco Master, que é alvo de investigações por fraudes em carteiras de crédito. De acordo com informações do Banco Central repassadas ao Ministério Público, o banco estatal adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras posteriormente consideradas fraudulentas, que foram substituídas e ainda passam por avaliação.
Além disso, o BRB teria injetado mais de R$ 5 bilhões no Master por meio de outras operações, incluindo a compra de cotas de fundos de investimento. A nova administração do banco, que assumiu após a troca de comando no ano passado, tenta dimensionar o impacto dessas operações realizadas ao longo de 2024 e 2025.
*Com Agência Brasil