Opep mantém projeção de crescimento da demanda global por petróleo e produção brasileira
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reafirmou nesta quarta-feira (11) suas projeções para o crescimento da demanda global de petróleo em 2026, estimando alta de 1,4 milhão de barris por dia (bpd).
Se confirmada, o consumo total alcançaria 106,53 milhões de bpd. Para 2027, a previsão é de acréscimo de 1,3 milhão de bpd, totalizando 107,87 milhões de bpd.
A Opep projeta que a maior parte do aumento virá de países fora da OCDE, com crescimento de 1,2 milhão de bpd tanto em 2026 quanto em 2027. Nos países membros da OCDE, a demanda deve avançar 150 mil bpd neste ano e 100 mil bpd no próximo.
O cartel também manteve a expectativa de aumento da oferta de petróleo fora da Opep+ em 600 mil bpd em 2026, com contribuições significativas de Brasil, Canadá, Estados Unidos e Argentina. Para 2027, a projeção se mantém, elevando a produção total desses países para 55,44 milhões de bpd.
Segundo o relatório, a produção da Opep+ — grupo que inclui Rússia e outros produtores fora da Opep — cresceu 445 mil bpd em fevereiro, alcançando 42,72 milhões de bpd, segundo fontes secundárias.
Produção brasileira de combustíveis
O Brasil deve registrar crescimento na produção de combustíveis líquidos em 2026, de 160 mil bpd, para uma média de 4,6 milhões de bpd, incluindo biocombustíveis. A Opep alerta, no entanto, que desafios operacionais e interrupções inesperadas podem afetar o cronograma.
Em janeiro, a produção de petróleo bruto caiu 65 mil bpd, para 4,0 milhões de bpd, enquanto os líquidos de gás natural se mantiveram estáveis, em cerca de 97 mil bpd. A produção de biocombustíveis, principalmente etanol, avançou 15 mil bpd, chegando a 700 mil bpd, com dados preliminares de fevereiro indicando tendência estável.
Para 2027, a produção brasileira de combustíveis líquidos deve crescer 140 mil bpd, atingindo 4,7 milhões de bpd, impulsionada por projetos em Búzios (Franco), Bacalhau, Marlim e Wahoo, além do início das operações no Cluster Pampo-Enchova.
Crescimento econômico
A Opep manteve a projeção de crescimento do PIB global em 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027. Para os Estados Unidos, a expectativa é de expansão de 2,2% e 2%, respectivamente, enquanto a zona do euro deve crescer 1,2% em ambos os anos. A China, por sua vez, deve manter crescimento de 4,5%.
Para o Brasil, o cartel reafirmou previsão de avanço do PIB em 2,0% em 2026 e 2,2% em 2027, apoiado pela continuidade da atividade doméstica e flexibilização monetária. A Opep, porém, alerta para incertezas relacionadas a políticas monetárias e fiscais mais restritivas, que podem impactar o ritmo de expansão econômica.
*Com informações do Estadão Conteúdo