Operação da PF mira investimentos bilionários do Rioprevidência no Banco Master
A Polícia Federal (PF) deflagra, na manhã desta sexta-feira (23), a operação Barco de Papel para apurar aportes de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência, o Regime Próprio de Previdência Social do RJ, no Banco Master.
Na ação, os agentes cumprem mandados de busca e apreensão no próprio Rio de Janeiro contra o diretor-presidente da instituição, Deivis Marcon Antunes, e contra os ex-diretores de investimentos Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal, segundo informações da Reuters.
A investigação, iniciada em novembro de 2025, visa analisar um conjunto de nove operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes ao fundo em Letras Financeiras emitidas pelo Master.
O objetivo, segundo a PF, é “apurar a suspeita de irregulares que expuseram o patrimônio de autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade”.
São investigados crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.
O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores inativos do estado carioca.
Em maio do ano passado, de acordo com o portal G1, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) já havia alertado os gestores da entidade para “graves irregularidades”.
Em outubro, o órgão voltou a criticar os aportes e determinou uma tutela provisória, impedindo o Rioprevidência de realizar novas transações com o Banco Master.
Em nota oficial divulgada em novembro de 2025, o autarquia informou que estava em negociação para substituir as Letras Financeiras por precatórios federais.
“O Rioprevidência ressalta que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido, não havendo qualquer risco para os segurados do estado do Rio de Janeiro. Cabe destacar ainda que o valor investido junto à instituição é inferior ao da folha mensal paga pela autarquia aos aposentados e pensionistas, hoje em R$ 1,9 bilhão, custeada em grande parte pela receita de royalties e participações especiais”, afirmou à época.
O Rioprevidência não respondeu de imediato a pedido de comentário da Reuters.