Oportunidade para plataformas de transmissão esportiva? Investimentos em publicidade digital devem atingir 67% até 2030 no Brasil, prevê Itaú BBA
Diante do avanço das plataformas de streaming esportivo com a Copa do Mundo de 2026, o Itaú BBA aponta que no segmento de direitos de mídia — onde se concentra a maior parte dos investimentos das plataformas de streaming — existe um mercado de US$ 58 bilhões, que está migrando rapidamente da TV linear para o streaming e outros formatos.
Atualmente, o streaming já representa pelo menos 20% dos direitos globais de mídia esportiva, segundo o banco. A Copa do Mundo deste ano, por exemplo, tem transmissão completa no Brasil pela CazéTV/LiveMode.
Essa tendência não apenas se acelerou desde 2022, mas também trouxe um fluxo significativo de investimentos para equipes esportivas e todo o seu ecossistema, afirma. “As renovações de contratos com grandes ligas esportivas ocorreram com aumentos superiores a 100% nos pagamentos anuais, em acordos de pelo menos US$ 1 bilhão por ano“, diz o banco.
Segundo o BBA, o conteúdo esportivo possui uma característica única: os eventos esportivos ao vivo são naturalmente escassos e difíceis de replicar, algo particularmente relevante em uma era marcada pelos avanços da inteligência artificial generativa.
“Como resultado, a concorrência elevou as ofertas por direitos de transmissão a níveis recordes, destacando o valor dos ativos de mídia esportiva de qualidade e dos novos canais digitais de streaming”, explica.
De acordo com o banco de investimentos, as emissoras tradicionais estão avançando rapidamente na distribuição digital, reforçando a importância estratégica de plataformas como o YouTube, como a Globo, que lançou o ge TV em 2025.
“A iniciativa também acompanha o crescimento da CazéTV, outro canal esportivo baseado no YouTube, e evidencia como os esportes ao vivo no Brasil estão cada vez mais sendo moldados pelo alcance digital, pela economia das plataformas e pelas mudanças de comportamento da audiência”, acrescentam os analistas do BBA.
O Brasil possui a terceira maior audiência publicitária do mundo tanto no TikTok quanto no Instagram, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Indonésia no TikTok, e da Índia e dos Estados Unidos no Instagram. Na prática, o Brasil já possui escala, conectividade e níveis de adoção de redes sociais e vídeo suficientes para sustentar um ecossistema de mídia digital cada vez mais sofisticado.
Mercado brasileiro
Na avaliação do Itaú BBA, o mercado publicitário brasileiro está cada vez mais digital, e os esportes ao vivo ocupam a interseção entre escala de audiência, engajamento e novos formatos de monetização.
Segundo o relatório do banco de investimentos, o meio digital já é o principal motor de crescimento da publicidade no Brasil, representando cerca de 56% dos investimentos publicitários em 2025, com expectativa de atingir aproximadamente 67% até 2030.
Além disso, a expectativa é de que os gastos com publicidade digital cresçam a uma taxa composta anual (CAGR) de cerca de 12,9% até 2030, superando amplamente o crescimento estimado de 2,3% ao ano para a TV linear.
“Enquanto isso, o vídeo online continua ganhando participação de mercado, e plataformas como YouTube e CazéTV demonstram que eventos esportivos ao vivo podem alcançar grandes audiências por meio de um modelo gratuito, financiado por publicidade e liderado por criadores de conteúdo”, avalia o time de tecnologia, mídia e telecomunicações do BBA, liderado pela analista Maria Clara Infantozzi.
Os analistas apontam que os direitos de transmissão do futebol brasileiro estão entrando em um ciclo mais favorável de monetização, e a execução deve ser a principal variável para captura de valor.
Além disso, o banco de investimentos destaca que o arcabouço regulatório e a criação das ligas de futebol ajudaram a remodelar o mercado e abriram espaço para uma participação mais ampla de compradores e para a distribuição digital.
De acordo com as análises de sensibilidade dos analistas do BBA, o mercado endereçável total (TAM) de mídia esportiva, atualmente estimado em R$ 5,4 bilhões, pode alcançar entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões no longo prazo, com base na análise como percentual do Produto Interno Bruto (PIB).
Nos cálculos do time de analistas conduzido por Infantozzi, isso implica taxas de crescimento anual compostas de dois dígitos ao longo dos próximos cinco anos ou taxas de crescimento de um dígito alto em horizontes mais longos.
Essa aceleração, segundo os analistas do BBA, depende de fatores como:
- Melhores práticas de governança;
- Maior profissionalização na venda de direitos;
- Investimentos adicionais no ecossistema do futebol;
- Maior coordenação e possível convergência entre as ligas de futebol.
“Ao longo do tempo, esses fatores poderão sustentar pacotes de direitos mais robustos, maior poder de negociação, processos de licitação mais competitivos e novas oportunidades de monetização comercial”, avaliam os analistas do BBA.