Donald Trump

Otan foi criada para ameaças externas, não internas — o que fazer se Trump mirar a Groenlândia?

16 jan 2026, 12:12 - atualizado em 16 jan 2026, 11:47
Tarifas de donald trump
A Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca e ocupa posição estratégica no Ártico, região cada vez mais disputada por grandes potências.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foi criada em 1949, em meio à Guerra Fria, com o objetivo de garantir a proteção militar coletiva de seus membros. Pela lógica da aliança, se um país integrante é atacado, os demais são chamados a ajudá-lo. A questão que ganha força agora é outra: o que acontece quando a ameaça não vem de fora, mas de dentro da própria Otan?

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Esse é o pano de fundo das recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de invadir e assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca e integrante da aliança militar. As falas do republicano elevaram a tensão entre os países-membros.

“De um jeito ou de outro, vamos ficar com a Groenlândia”, afirmou Trump no último domingo (11).

Pelo Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, qualquer ataque externo contra um país da Otan é considerado uma agressão contra todos os membros. O princípio da defesa coletiva tem como objetivo desestimular potenciais inimigos, ao deixar claro que uma ofensiva isolada pode mobilizar toda a aliança.

Na prática, isso significa que os recursos militares, estratégicos e políticos do bloco podem ser usados para proteger qualquer país integrante.

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A Otan entraria em conflito com os EUA pela Groenlândia?

Em entrevista à CNN, Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, afirmou que nenhum país europeu estaria disposto — ou preparado — a lutar para defender a Groenlândia. Sem descartar uma ação militar americana, ele minimizou o risco ao dizer que “não há necessidade sequer de pensar nisso”, já que, segundo ele, nenhum aliado enfrentaria militarmente os Estados Unidos.

A leitura, porém, é diferente em Copenhague e na própria Groenlândia. Em comunicado divulgado na terça-feira (13), o ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, anunciou um investimento de 88 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 77,5 bilhões) para reforçar a defesa da ilha no Ártico.

Mesmo assim, analistas avaliam que a resistência militar seria limitada. Para Edward R. Arnold, pesquisador sênior do Royal United Services Institute, os Estados Unidos teriam capacidade de invadir a Groenlândia rapidamente, caso quisessem, sem enfrentar oposição significativa.

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“Que comandante europeu ordenaria disparos contra um navio de tropas dos EUA?”, afirmou Arnold, em entrevista à CNBC. Segundo ele, um confronto desse tipo poderia gerar uma guerra dentro da própria Otan — e Washington teria plena consciência disso.

Países membros da Otan
Países membros da Otan

Navios dos EUA barrados

Entre as alternativas não militares, países europeus poderiam adotar medidas como a recusa em reabastecer navios americanos em portos do continente, negar atendimento a soldados dos EUA em hospitais militares locais e impor custos mais elevados para a permanência de tropas americanas na Europa.

Esses seriam alguns dos instrumentos de pressão disponíveis, segundo Marion Messmer, diretora do programa de segurança internacional da Chatham House. Ela também aponta a possibilidade de fechamento de determinadas instalações militares.

“Os Estados europeus têm uma influência significativa que a atual administração dos EUA parece ignorar”, afirmou. Para Messmer, a retirada de bases que dão suporte às forças americanas tornaria operações no Oriente Médio e no Alto Norte muito mais difíceis.

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Já Rasmus Sinding Søndergaard, pesquisador sênior do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais (DIIS), disse à revista Newsweek que esse seria um cenário extremo. “A maioria dos europeus preferiria que os militares americanos permanecessem na Europa por causa da Rússia”, afirmou.

EUA fora da Otan?

Donald Trump critica há anos o que chama de falta de comprometimento financeiro dos aliados europeus da Otan. Na cúpula da aliança realizada no ano passado, ele chegou a ser elogiado por pressionar os países-membros a assumirem um novo compromisso de gastos com defesa, que prevê investimentos de até 5% do PIB até 2035.

Apesar disso, a Estratégia de Segurança Nacional divulgada em dezembro deixou claro que o Hemisfério Ocidental é a prioridade estratégica de Washington, e não a Europa.

Para Marion Messmer, esse cenário obriga os países europeus a refletirem sobre como a Otan funcionaria sem os Estados Unidos e a ampliar investimentos em áreas nas quais os americanos ainda concentram maior poder.

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“Agora, eles também precisam considerar seriamente que tipo de adversário os Estados Unidos podem se tornar — especialmente no caso de um ataque à Groenlândia”, afirmou. Segundo ela, os países europeus “não podem mais se dar ao luxo de ignorar essa possibilidade”.

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Formado em Jornalismo pela PUC-SP, atua como repórter no Money Times e no Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como analista de mídias sociais, com experiência em produção de conteúdo para diferentes plataformas digitais. Antes disso, foi repórter no site Monitor do Mercado.
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