Ouro sobe com dólar mais fraco e alívio nas tensões entre EUA e Irã
O contrato futuro do ouro fechou em alta nesta quarta-feira (1º) na esteira da perda de força do dólar e do petróleo, como reflexo das expectativas de um cessar-fogo próximo entre os Estados Unidos e o Irã.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para maio encerrou com avanço de 2,92%, a US$ 4.783,20 por onça-troy.
Já a prata para maio subiu 1,55%, a US$ 76,078 por onça-troy.
O que impulsionou o ouro hoje?
A expectativa de um cessar-fogo, após falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sinalizações de interesse em negociar do Irã, impulsionou a commodity metálica na sessão desta quarta-feira.
Trump afirmou mais cedo que Teerã teria solicitado um cessar-fogo, condicionando uma decisão de Washington à reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela relevante do fluxo global de petróleo.
A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês), no entanto, reiterou que o Estreito de Ormuz permanece sob “pleno controle” de sua Marinha e rejeitou qualquer possibilidade de reabertura nas condições sugeridas pelos Estados Unidos.
Em comunicado, a força disse que a via estratégica “não será reaberta aos inimigos desta nação por meio das ‘encenações ridículas’ do presidente” norte-americano.
Em entrevista à agência de notícias Reuters hoje, Trump afirmou que os Estados Unidos “sairão do Irã muito rapidamente” e poderão retornar para “ataques pontuais”, se necessário.
Com o conflito em sua quinta semana e Trump sob pressão para encerrar a guerra em meio ao aumento dos preços da gasolina, o presidente agendou para hoje um discurso à nação às 22h (horário de Brasília).
Segundo os analistas da Sucden Financial, o movimento de hoje sugere reconstrução do fôlego do ouro, ainda que os ganhos permaneçam moderados e dependentes da dinâmica do dólar e do petróleo.
Para eles, a perspectiva de curto prazo segue construtiva, com suporte adicional vindo da moeda americana mais fraca.
Na mesma linha, o ING destaca que o metal estendeu os ganhos pela quarta sessão consecutiva, impulsionado pela percepção de que a guerra no Oriente Médio pode se aproximar do fim após declarações do presidente dos EUA.
O banco holandês também pondera que o ouro segue vulnerável a um aperto de liquidez global e a um dólar mais forte, embora as quedas recentes tenham sido acompanhadas por compras, e não por perda de confiança.
Os dados sobre compras de bancos centrais serão determinantes para avaliar se a desaceleração recente é temporária, frisa o ING.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters