Ouro perde brilho e cai 3% com dólar mais forte após tom duro do Fed
O ouro fechou em baixa na sessão desta quinta-feira (18) após sinalização de um Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) mais hawkish, ou duro, na condução da política monetária, o que fortaleceu o dólar em nível global.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto recuou 3,19%, a US$ 4.245,9 por onça-troy, enquanto a prata para julho cedeu 6,3%, a US$ 66,319 por onça-troy.
O que pressionou a cotação do ouro hoje?
A política monetária dos Estados Unidos pesou na cotação do metal dourado, a despeito do alívio no curto prazo das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A postura mais dura do Fed e as falas de seu novo chair, Kevin Warsh, além do ajuste das expectativas do mercado para alta nos juros pressionaram os metais preciosos, segundo o banco canadense TD Securities.
O banco acrescenta ainda que cenário macroeconômico está ofuscando “qualquer alívio” vindo da assinatura do memorando de entendimento oficial entre os EUA e o Irã, confirmada na noite da quarta-feira (17) pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para pausar o conflito.
Hoje, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse que o prazo de 60 dias estabelecido no memorando de entendimento aprovado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelos líderes iranianos começa a valer nesta quinta-feira.
Ao ser questionado sobre o que acontecerá após o período de 60 dias em termos de gestão do Estreito de Ormuz, Vance reafirmou a posição dos EUA de que a rota deve estar livre de cobranças.
Dólar
A sinalização de compromisso com a estabilização dos preços pelo Fed também deu força ao dólar, deixando o ouro mais caro para compradores internacionais.
O DXY, índice que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, operava na máxima do dia, com alta de 0,74%, aos 100,825 pontos, por volta das 15h12 (horário de Brasília).
O Saxo Bank avalia que as reações contrastantes mostram a dificuldade do mercado em equilibrar “os ventos contrários macroeconômicos de curto prazo com o suporte estrutural de longo prazo para o ouro”.
Contudo, a instituição considera que, diante da forte queda dos preços do petróleo, ainda não é possível afirmar se as projeções de inflação do Fed para o ano de 2026 vão se mostrar altas demais, exigindo revisões para baixo nos próximos meses.
*Com informações de Estadão Conteúdo