Ouro avança com expectativa de cessar-fogo no Irã, mas encerra março em queda
O contrato futuro do ouro fechou em alta nesta terça-feira (31), seguindo um otimismo nos mercados com sinalizações norte-americanas e iranianas sobre o conflito.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou com avanço de 2,69%, a US$ 4.647,60 por onça-troy.
Apesar do saldo positivo, o futuro do ouro caiu 12,5% em março.
Hoje, a prata para maio teve alta de 6,16%, a US$ 74,919 por onça-troy. No mês, recuou cerca de 16%.
O que impulsionou o ouro hoje?
A possibilidade de um acordo mesmo sem a reabertura do Estreito de Ormuz pressionou o dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries – favorecendo o ouro, que é cotado na moeda norte-americana e não rende juros.
Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou a assessores que aceita encerrar as operações militares contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz siga em grande parte fechado.
Do outro lado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não busca prolongar o conflito e está disposto a encerrá-lo, desde que haja garantias contra novas agressões. A declaração foi feita em conversa telefônica com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
“A questão agora é se o ouro conseguirá recuperar seu status de porto seguro e seu apelo como proteção contra a inflação caso as perdas no mercado de ações se acelerem”, aponta a analista Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote.
“Isso provavelmente dependerá de uma combinação de fatores, incluindo os preços do petróleo, o dólar e os rendimentos dos títulos. Por ora, a pressão vendedora parece estar diminuindo, mas o risco de novas quedas permanece”, acrescentou.
Na avaliação dele, os mercados continuarão sendo impulsionados por notícias e pela dinâmica dos preços do petróleo e, até que haja um progresso significativo em direção à estabilidade, qualquer recuperação nas ações, títulos ou ouro provavelmente permanecerá frágil.
Para o TD Securities, na medida em que o choque for precificado como “mais inflação do que estagnação”, os metais monetários permanecerão desfavorecidos devido à ausência de crescimento excessivo da oferta monetária, um Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em pausa e preocupações atenuadas em relação à independência do banco central americano.
*Com informações de Estadão Conteúdo