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Ouro cai forte em 2026, mas BTG vê oportunidade em mineradoras

16 jun 2026, 18:25 - atualizado em 16 jun 2026, 18:25
ouro - mercados
(Imagem: Pexels/ Canva)

O ouro tem surpreendido investidores em 2026. Após atingir a máxima histórica de US$ 5.595 por onça no fim de janeiro, o metal acumulou queda de cerca de 25% até o início de junho. Para quem enxerga o ativo como um tradicional porto seguro, o movimento parece contraditório. Para o BTG Pactual, porém, a correção abre uma janela de oportunidade.

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Segundo os analistas do banco, a recente desvalorização do ouro tem caráter técnico e temporário. Na avaliação da instituição, o recuo criou um dos cenários mais atrativos dos últimos anos para investir em mineradoras de ouro da América Latina.

O que derrubou o ouro?

O principal fator por trás da queda foi a resiliência da economia americana. O relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll), divulgado em 5 de junho, mostrou criação de vagas acima das expectativas do mercado, reduzindo as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).

Como consequência, o ouro registrou sua maior queda diária em mais de três meses. Naquele pregão, os contratos para agosto recuaram 3,1%, encerrando a US$ 4.365 por onça-troy. Na semana, as perdas chegaram a 5%.

A inflação também continua pressionando as expectativas. O índice de preços ao consumidor (CPI) alcançou 4,2% em maio, enquanto o núcleo do PCE — indicador preferido do Fed — permanecia em 3,3%, ambos acima da meta de 2%. Já o índice de preços ao produtor (PPI) avançou 6,5%, reforçando os temores de que os juros elevados permaneçam por mais tempo.

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Historicamente, esse ambiente prejudica o ouro, que não oferece rendimento próprio e perde competitividade diante dos títulos públicos americanos com retornos mais altos.

Além dos fatores macroeconômicos, o BTG destaca um componente técnico: fundos quantitativos e estratégias de momentum carregavam posições compradas elevadas após o forte rali do início do ano. Quando o mercado mudou de direção, a liquidação dessas posições acelerou a correção.

Fundamentos permanecem sólidos

Apesar da queda, o banco mantém uma visão positiva para o metal no longo prazo.

A principal tese é que o mercado de ouro passou por um processo crescente de “financialização”. Hoje, aproximadamente dois terços da demanda global vêm de investidores, enquanto o peso das joias diminuiu significativamente.

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Esse fenômeno explica por que o ouro tem apresentado, em determinados momentos, comportamento semelhante ao de ativos de risco, com maior volatilidade e correlação com outros mercados.

Bancos centrais seguem comprando

Enquanto investidores financeiros reduzem exposição, bancos centrais continuam ampliando suas reservas.

No primeiro trimestre de 2026, as compras líquidas somaram 244 toneladas, acima da média histórica de 157 toneladas por trimestre registrada nos últimos 15 anos.

A China completou 18 meses consecutivos de compras, intensificando aquisições justamente durante a queda dos preços. A Polônia também manteve um ritmo forte de acumulação.

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Para o BTG, a busca por diversificação das reservas internacionais segue sustentando a demanda estrutural por ouro. O banco lembra que muitos países emergentes ainda possuem participação do metal abaixo da média global de 28% das reservas.

Diante desse cenário, a instituição projeta o ouro em US$ 5.000 por onça em 2026 e US$ 4.900 em 2027.

Três mineradoras para aproveitar a recuperação

Em vez de investir diretamente no metal, o BTG prefere a exposição por meio de ações de mineradoras, que sofreram quedas expressivas e passaram a negociar com múltiplos considerados atrativos.

As principais recomendações são:

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Aura Minerals (AUGO; AURA33)

As ações acumulam queda próxima de 39% desde as máximas recentes. Ainda assim, o banco destaca a consistência operacional da companhia.

Negociando a 0,6 vez o valor líquido dos ativos (P/NAV) e 4,5 vezes EV/Ebitda projetado para 2026, a empresa oferece, segundo o BTG, uma relação risco-retorno bastante favorável.

O preço-alvo é de US$ 122 por ação, ante cerca de US$ 66 atualmente.

Buenaventura (BVN)

A mineradora peruana recuou aproximadamente 21% desde os picos recentes.

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O BTG acredita que a entrada em operação da mina San Gabriel impulsionará a produção para cerca de 50 mil onças anuais até o final de 2026, podendo superar 120 mil onças em 2027.

Além disso, a companhia possui participação de 19,58% na Cerro Verde, uma das maiores produtoras de cobre do Peru, garantindo uma fonte adicional de receitas.

O preço-alvo é de US$ 30 por ação.

Aris Mining (ARIS)

Considerada a aposta mais agressiva da carteira, a Aris acumula queda de cerca de 23% desde as máximas.

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As ações negociam a apenas 0,4 vez o valor líquido dos ativos, um desconto de aproximadamente 40% em relação à média das mineradoras latino-americanas.

Segundo o BTG, o mercado não reconhece adequadamente o potencial dos projetos de expansão da empresa.

O preço-alvo de US$ 37 representa potencial de valorização superior a 100% sobre a cotação atual, próxima de US$ 17.

Como investir no Brasil

Para o investidor brasileiro, o acesso a essas teses pode ser feito por meio de BDRs negociados na B3, ETFs ligados ao ouro, como o GOLB11, ou fundos de investimento com exposição ao setor.

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Vale lembrar que o desempenho final também depende do câmbio. Como o ouro é cotado em dólares, uma valorização do real pode reduzir os ganhos em moeda local, enquanto uma desvalorização tende a amplificá-los.

Mesmo após a forte correção de 2026, o BTG avalia que os fundamentos de longo prazo permanecem intactos e que as mineradoras latino-americanas oferecem uma oportunidade interessante para quem acredita na retomada do metal nos próximos anos.

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