Para Citi, Ibovespa tem ‘ponto de entrada’ atraente após rali do 1º turno das eleições
O Ibovespa (IBOV) disparou 8,8% na semana seguinte do primeiro turno das eleições presidenciais com a surpresa de Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa foi a maior alta semana após uma votação desde 1994.
Mesmo com o rali, o Citi considera que o movimento pode ser o início de uma valorização mais significativa. “Não vemos o movimento recente como um simples fechamento técnico de posições vendidas (short covering), mas como uma reavaliação estrutural dos preços dos ativos, sustentada pela entrada de R$ 18 bilhões de capital estrangeiro”, avalia o analista André Mazini.
“Se a melhora do sentimento continuar e mais investidores globais começarem a reavaliar as perspectivas para o mercado brasileiro, poderemos observar novas entradas de capital estrangeiro”, acrescenta.
Para o analista, o principal índice da bolsa brasileira ainda apresenta um “ponto de entrada atraente” para aproveitar a continuidade de alta.
Nas contas dele, o IBOV está sendo negociado a um múltiplo preço/lucro (P/L) projetado de 9,4 vezes, abaixo da média histórica de 11 vezes e o menor da América Latina, com exceção da Argentina — que faz parte do índice MSCI de mercados emergentes.
O Citi reiterou que segue aumentando a exposição a ações brasileiras até o fim do ano.
Flávio x Lula
O analista André Mazini destaca que Flávio Bolsonaro (PL), o favorito do mercado para vencer a disputa pela Presidência, parece bem posicionado — o que sugere uma eventual mudança de governo e de política de gastos públicos.
No primeiro turno, Flávio ficou na liderança com 47,03% dos votos válidos, uma vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu 45,16%.
Na última pesquisa Quaest, divulgada no dia 14 e a primeira para o segundo turno, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem 46% das intenções de voto e Lula com 44%. O cenário é de empate técnico, se considerada a margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
“Historicamente, o candidato que lidera o primeiro turno costuma vencer o segundo. No entanto, a disputa extremamente acirrada sugere que o comparecimento dos eleitores, a formação de coalizões e a retenção dos votos recebidos no primeiro turno serão fatores decisivos”, afirma o analista.
12 ações para investir
De olho no segundo turno, o Citi atualizou a carteira com 12 ações. Confira:
| Empresa | Ticker | Recomendação | Preço-alvo |
|---|---|---|---|
| B3 | B3SA3 | Compra | R$ 20,00 |
| C&A Brasil | CEAB3 | Compra/Alto risco | R$ 16,00 |
| Ecorodovias | ECOR3 | Compra | R$ 9,40 |
| Equatorial | EQTL3 | Compra | R$ 55,00 |
| Hypera | HYPE3 | Compra | R$ 30,00 |
| Multiplan | MULT3 | Compra | R$ 43,00 |
| Petrobras | PETR4 | Neutra | R$ 47,00 |
| Prio | PRIO3 | Compra | R$ 67,50 |
| Sabesp | SBSP3 | Compra | R$ 32,50 |
| Smart Fit | SMFT3 | Compra | R$ 30,00 |
| Vivara | VIVA3 | Compra | R$ 32,00 |
| XP | XP | Compra | US$ 25,00 |
A carteira MVP reúne de 10 a 15 ações e busca construir um portfólio equilibrado, com o objetivo de superar o Ibovespa em períodos mais longos.
“As ações que compõem a carteira têm pesos de 5%, 10% ou 15%. Nosso foco é selecionar ações por meio de uma abordagem bottom-up (de baixo para cima), considerando também as pressões e tendências macroeconômicas (top-down)”, diz o analista do Citi.
Nos últimos 30 dias, a carteira superou o IBOV com alta de 17%, ante valorização de 10% do índice. No acumulado do ano, a valorização é de 25,3%, contra 26,9% do Ibovespa.