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Operação Carbono Oculto: Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) vinham alertando sobre irregularidades e analistas veem tendência positiva

29 ago 2025, 16:04 - atualizado em 29 ago 2025, 16:06
Receita Federal e órgãos deflagram a maior operação contra o crime organizado da história do país em termos de cooperação institucional e amplitude (Imagem: divulgação)
Receita Federal e órgãos deflagram a maior operação contra o crime organizado da história do país em termos de cooperação institucional e amplitude (Imagem: divulgação)

A operação Carbono Oculto, realizada nesta quinta-feira (28), jogou luz sobre a ligação do crime organizado, mais especificamente do Primeiro Comando da Capital (PCC), com o setor de combustíveis. Mas companhias do setor já vinham, há algum tempo, alertando sobre irregularidades.

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Foi constatado pelas autoridades que a organização criminosa tinha cerca de 2,5 mil postos espalhados pelo país. Para fins de comparação, a Vibra, antiga BR Distribuidora, maior do país no setor, encerrou o segundo trimestre de 2025 com 7.989 postos.

Além disso, as empresas ligadas ao PCC possuíam cerca de quatro usinas sucroalcooleiras, um terminal portuário e mais de 1.600 caminhões para o transporte de combustíveis. Fora a escala, os criminosos também realizavam importações ilegais de combustíveis e tinham uma grande operação focada em adulterações.

Tudo isso, claro, começou a representar um problema para as companhias que operam dentro da lei. 

Vibra e Ultrapar reclamaram de concorrência “fora das quatro linhas”

“Uma das irregularidades que mais afetaram nossos resultados recentes foi o não cumprimento da mistura obrigatória no diesel do biodiesel, que é muito mais caro, e cujo preço aumentou muito nos últimos meses”, disse Rodrigo Pizzinato, CEO da Ultrapar, dona da Rede Ipiranga, na teleconferência de resultados do quarto trimestre do ano passado.

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“Também é grande o número de distribuidoras que descumprem as metas do RenovaBio e não adquirem os CBIOs anualmente”, completou. 

Uma das principais linhas da investigação mostra que os criminosos misturavam metanol aos combustíveis. Em alguns postos operados pelo PCC, a concentração do metanol no diesel e na gasolina chegou a 90%, sendo que a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) permite um limite máximo de 0,5%.

“As irregularidades têm permitido que as empresas que as praticam ganhem mercado frente as empresas que respeitam as leis. Em 2024, a participação de mercado das empresas do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo) caiu 2,9 pontos percentuais”, falou Pizzinato, na mesma ocasião. 

Um trimestre antes, o mesmo CEO da Ultrapar afirmou que o Ebitda da companhia poderia ser R$ 1 bilhão maior se ela não cumprisse a necessidade de misturar biodiesel no diesel. “Esse é o tamanho que a ilegalidade afeta o setor e por isso que é importante combater essas iniciativas para ter uma paridade de competição para quem faz a coisa certa”, falou.

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Ernesto Pousada, CEO da Vibra, na teleconferência do primeiro trimestre deste ano, mencionou que muitos concorrentes estavam felizes com margens baixas e ganhando market share por “não estarem jogando dentro das quatro linhas”.

Já no quarto trimestre do ano passado, Pousada falou sobre uma “estranheza” quanto aos concorrentes. O CEO afirmou que confiava na competitividade da Vibra dentro da regularidade, citando diferenciais logísticos, no atendimento aos clientes e no desenvolvimento de novos produtos.

Juntas, as três maiores distribuidoras do Brasil (Vibra, Raízen e Ultrapar) tinham no final de 2024 mais de 50% do mercado. No entanto, todas elas perderam participação de mercado. 

Analistas veem operação contra PCC ajudando setor

A operação Carbono Oculto, ontem, ajudou a impulsionar as ações do setor. 

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“As autoridades parecem estar limpando a bagunça. A dimensão da operação sugere que ela pode gerar uma disrupção significativa nessas atividades de sonegação e adulteração”, fala o time do BTG Pactual, liderado por Thiago Duarte, em relatório.

O banco expõe que as usinas envolvidas na operação moem cerca de 16 milhões de toneladas de cana por ano, o que equivale a aproximadamente 2,5% do volume total processado no Centro-Sul do Brasil.

“O impacto sobre a oferta de açúcar e etanol no país e sobre a concorrência para outras usinas dependerá, em última instância, de como essa operação afetará a capacidade dessas unidades de manter suas atividades de moagem”, diz o time do BTG.

Já o Itaú BBA, em relatório, menciona que as distribuidoras envolvidas nas potenciais práticas ilícitas representam uma fatia de mercado de 3% no diesel, 6% na gasolina e 13% no etanol. 

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“Somados, esses números correspondem a aproximadamente 5% da distribuição total de combustíveis no Brasil em 2025”, fala o time, encabeçado por Monique Martins. “Embora seja difícil quantificar o impacto exato das práticas informais, nossa análise sugere que elas contribuíram de forma relevante para a expansão da participação de mercado das chamadas ‘outras’ distribuidoras”.

O Itaú BBA enxerga que uma fiscalização mais rigorosa e maior transparência no setor irá beneficiar as distribuidoras sob sua cobertura e impulsionar margens. 

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vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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