Impostos

PEC que altera o IPVA gera debate sobre constitucionalidade e impacto fiscal sobre Estados e DF

17 mar 2026, 16:53 - atualizado em 17 mar 2026, 17:09
Kim Kataguiri
Deputado Kim Kataguiri (União-SP), autor da PEC do IPVA (Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende mudar as regras do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) entrou no radar político e jurídico do Congresso e já enfrenta críticas que a classificam como inconstitucional e com potencial efeito eleitoreiro.

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Apresentada pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), a PEC 3/2026 propõe duas mudanças centrais no tributo estadual: a criação de um teto nacional de 1% para a alíquota do imposto e a alteração da base de cálculo, que deixaria de considerar o valor de mercado do veículo e passaria a utilizar o peso bruto como referência.

A proposta ainda está em fase inicial de tramitação e precisa cumprir todas as etapas previstas no rito constitucional antes de eventual aprovação.

O risco de invasão de competência

A discussão jurídica gira em torno do fato de que o IPVA um tributo definido, gerido e arrecadado pelos Estados e o Distrito Federal, conforme previsto no artigo 155 da Constituição Federal. Críticos da proposta argumentam que a alteração da base de cálculo e a fixação de um teto nacional poderiam interferir na autonomia tributária dos entes federados.

Parte dos opositores sustenta que a medida pode enfrentar questionamentos quanto à sua compatibilidade com o pacto federativo. Por outro lado, especialistas lembram que a Constituição pode ser alterada por meio de emenda, desde que respeitado o rito legislativo e os limites formais estabelecidos.

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A análise inicial caberá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que avaliará somente a admissibilidade da proposta, isto é, se atende aos requisitos constitucionais para continuar tramitando.

Teto de 1%

Além de redefinir o critério de apuração do imposto, a PEC estabelece um limite máximo de 1% para a alíquota em todo o País. Atualmente, cada estado tem autonomia para definir suas próprias alíquotas, dentro dos parâmetros constitucionais. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, maiores frotas cobram até 4% de alíquota, a mais alta entre os entes federativos. Na outra ponta, a alíquota chega a 1,5% sobre veículos de passeio no Amazonas.

Caso a proposta seja aprovada, o valor do imposto poderá variar de acordo com o peso do veículo, respeitando o teto estabelecido no texto. Eventuais efeitos dependerão de regulamentação posterior e da forma de implementação pelos estados. Segundo a justificativa apresentada, o uso do peso como base buscaria reduzir distorções associadas ao valor de mercado, especialmente considerando a depreciação natural dos veículos ao longo do tempo.

Reação Federativa: Estados contra a PEC

Secretarias estaduais da Fazenda acompanham a tramitação com cautela. O IPVA é uma das principais fontes de receita própria dos estados e metade do valor arrecadado é repassada aos municípios, o que amplia o alcance federativo da discussão.

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Governadores têm avaliado que a eventual limitação das alíquotas pode afetar o equilíbrio fiscal, a depender do texto final aprovado. Eventuais impactos, contudo, dependerão da redação definitiva da proposta e de possíveis mecanismos de transição ou compensação que venham a ser incluídos durante a tramitação.

O cenário para a PEC nas comissões temáticas

Se aprovada na CCJ, a PEC do IPVA deverá seguir para uma comissão especial e, posteriormente, será submetida a dois turnos de votação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, conforme exige o processo de emenda constitucional.

* Com orientação de Gustavo Porto

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Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
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