‘Técnico Durigan’ antagoniza com ‘político Haddad’ e pode ajudar governo em pauta econômica
Com a saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, prevista para a próxima semana, os holofotes se voltam para Dario Durigan. Atual secretário-executivo, o número 2 da Pasta carrega no currículo passagens pela Meta, pela Advocacia-Geral da União e a Casa Civil. Ele assume o protagonismo com um desafio de executar a agenda econômica sem o tradicional “traquejo” partidário de Haddad, em um período de alta sensibilidade política devido às eleições gerais.
Durigan vem sendo moldado para assumir o comando da Fazenda há algum. Sua imagem é a de um técnico puro, ao contrário do político Haddad, característica que pode ser um trunfo na condução de temas complexos, como a revisão da jornada trabalhista 6×1, a principal pauta do governo Lula em 2026 no Congresso.
Para o cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria, essa característica técnica pode ser favorável. “A chegada de Durigan pode dar uma condição privilegiada para a discussão”, avalia.
Contudo, o cenário para 2026 impõe barreiras que vão além do nome escolhido para a Pasta. Na visão de Cortez, o sucesso da agenda econômica dependerá mais do clima político do que da figura do ministro isoladamente.
“É um ano mais delicado para a implementação de pontos mais sensíveis. Embora seja importante essa transição, ainda que o Dario tenha dificuldades ou qualidades, tem um problema maior que é a questão eleitoral”, explica o especialista.
Cortez pondera que a falta de DNA político para o secretário-executivo possa ser um entrave no diálogo com parlamentares. Por outro lado, o perfil menos exposto politicamente pode ser uma vantagem tática. Segundo Cortez, se a pauta econômica for conduzida sob um prisma estritamente técnico e longe do radar passional da opinião pública, a absorção pelo Congresso poderá ser mais fluida.
“O quanto isso vai ser efetivo também vai depender da figura do presidente Lula, caso se confirme a escolha, e de que tipo de agenda ele quer trazer para 2026”, afirma o cientista político.
O novo desenho da equipe econômica
A confiança do Palácio do Planalto no sucessor parece consolidada. Em declaração recente, o próprio Haddad reforçou o elo entre seu número 2 e Lula. “O Dário tem uma relação muito boa com o presidente, de muita confiança. É um grande gestor público”, afirmou Haddad.
Com a subida de Durigan para o comando da Fazenda, o atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, é o nome mais forte para assumir a Secretaria Executiva, mantendo a linha de continuidade técnica que o governo busca para este encerramento de ciclo.
*Com orientação de Gustavo Porto