Opinião

Petrobras: boas intenções e uma má ideia

09 jun 2018, 10:24 - atualizado em 09 jun 2018, 10:24

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Por Rodolfo Arashiro Rodriguez, para o Terraço Econômico

Executivos da Procter & Gamble sabiam que a demanda pela fralda Pampers não variava muito – o número de bebês não muda tanto, e as necessidades, tampouco. Porém, quando olharam para o restante da cadeia de suprimentos viram que a cada passo adicional, a variância nos pedidos de compra era sensivelmente maior, o que forçava fornecedores, como a 3M, a fazer estoques e números de pedidos de compra muito ineficientes, além de eventuais quebras de fornecimento. Este é o efeito chicote (bullwhip effect). É efeito muito conhecido pelos estudiosos da cadeia de suprimentos, operações, marketing e pricing.

Não fiquei muito surpreso ao ver inúmeros especialistas de Facebook se dedicarem à árdua tarefa de determinar uma política de preços para a Petrobrás. Um dos vários aspectos é a variação diária do preço, que valeu até uma intervenção da ANP (Agência Nacional do Petróleo): “A Petrobras e as distribuidoras de combustíveis continuarão a ter liberdade para definir seus preços e margens de lucro, mas não mais os prazos em que vão repassar as variações aos consumidores. A medida atende a uma demanda da sociedade (…)”, disse o diretor-geral da ANP, Décio Oddone.

Digamos que a nova política de preços leve em consideração o preço médio do mês anterior. Parece bacana, né? Então vamos raciocinar: se neste mês os preços do barril sobem, então cada etapa da cadeia vai tentar fazer estoque e comprar volume acima do normal, pois sabem que no mês seguinte o preço vai subir. E vice-versa.

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Já deu pra entender? Filas enormes e desabastecimento quando há expectativa de subida de preços, produtos encalhados caso contrário e toda a cadeia de suprimentos dos derivados completamente desorganizada e ainda mais ineficiente.

Nunca estive dentro da Petrobrás, mas o repasse diário, ou frequente, faz todo sentido quando se pensa nos efeitos ao longo da cadeia de suprimentos. Imagino também que, naquela época, a decisão de fazer uma política de preços não foi uma coisa pouco debatida pelos vários técnicos e executivos da Petrobrás. Leviano é querer determinar uma nova política, de afogadilho.

Foi Santa Teresa Ávila que disse que mais lágrimas são derramadas pelas súplicas atendidas do que pelas não atendidas. É isso que vai acontecer. Este surto populista e irresponsável, vai gerar consequências indesejadas, a partir de ações aparentemente bem-intencionadas.

A nova política de preços será mais uma destas boas intenções que vão nos deixar mais perto do inferno.

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Rodolfo Arashiro Rodriguez
Economista (BA na USP, mestrado na EPGE) e administrador de empresas (MBA no INSEAD), trabalha com finanças, modelagem, riscos e inteligência de negócios há mais de 10 anos e atualmente está na Austral Re (Resseguros).

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