Petrobras (PETR4) cai mais de 2% com crise na Venezuela; BRAV3 cede 6%
As ações da Petrobras (PETR4) e de outras petroleiras caíam nesta segunda-feira (5), em meio à reprecificação do risco geopolítico envolvendo a Venezuela e às discussões sobre um possível aumento da oferta global de petróleo no médio prazo.
Por volta das 13h, as ações da estatal recuavam 2,67%, negociadas a R$ 29,89. A Prio (PRIO3) registrava queda de 2,06%, a R$ 40,90. Já a Brava Energia (BRAV3) liderava as perdas do setor, com baixa de 6,48%, a R$ 15,59, enquanto a Petrorecôncavo (RECV3) cedia 1,45%, cotada a R$ 10,85.
No mercado internacional, no entanto, o petróleo operava em alta de 1,87%, a US$ 58,39, apesar da cautela dos investidores quanto aos desdobramentos da operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.
A alta do petróleo é vista como temporária porque o mercado avalia que a crise na Venezuela gera incerteza no curto prazo, mas tende a resultar, no médio e longo prazo, em aumento da produção.
A Venezuela produz menos de 1 milhão de barris por dia — menos de 1% da produção global — devido à infraestrutura envelhecida e às sanções impostas pelos Estados Unidos, o que limita efeitos imediatos sobre a oferta.
Por outro lado, o país detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, o equivalente a cerca de 17% do total global.
Na avaliação de Rafael Passos, analista da Ajax Asset, um maior envolvimento dos Estados Unidos no setor petrolífero venezuelano pode levar à flexibilização gradual das sanções e elevar a produção do país. Segundo ele, a oferta poderia crescer cerca de 250 mil barris por dia no curto prazo e alcançar entre 1,3 milhão e 1,4 milhão de barris diários em até dois anos.
Já a XP Investimentos diz ver maior probabilidade de risco de queda nos preços do Brent, em comparação com sua premissa de US$ 65 por barril. O potencial aumento da oferta venezuelana no médio prazo se somaria a um cenário já predominante de excesso estrutural de oferta em 2026. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), a oferta global deve superar a demanda em cerca de 3,8 milhões de barris por dia naquele ano.
A corretora afirma estar mais cautelosa em relação aos preços do petróleo, especialmente para empresas com maior alavancagem aos preços da commodity — em particular ao petróleo mais pesado. Entre as companhias brasileiras acompanhadas, a Prio é apontada como a preferida, por oferecer uma margem de segurança mais elevada antes que a geração de caixa se aproxime do breakeven em um cenário de queda do Brent.
Por outro lado, a Brava Energia é considerada a mais sensível a recuos no preço do petróleo. Segundo a XP, cada queda de US$ 5 por barril no Brent pode representar um impacto negativo de cerca de 6 pontos percentuais, reflexo de uma maior alavancagem operacional — com custos de extração mais elevados — e financeira, com nível de endividamento superior ao de seus pares.