Petrobras (PETR4): Petróleo pode turbinar retorno de dividendos — mas tudo depende de um fator
O petróleo teve a maior alta semanal desde a década de 80 impulsionado pela guerra no Irã. Até o começo do ano, a commodity parecia estabilizada em US$ 60 em um momento de oferta elevada e demanda menos aquecida. Mas agora, tudo mudou. De acordo com especialistas, uma guerra prolongada pode deixar os preços altos por boas semanas.
Nesse caso, os mercados estão de olho em como as petrolíferas podem surfar nessa disparada, principalmente a Petrobras (PETR4), maior e empresa mais procurada por investidores. A boa notícias, segundo cálculos do Bradesco BBI, é que companhia pode ver o seu retorno de dividendos alcançar até 12,5% com a disparada dos preços.
Porém, tudo vai depender do grau de repasse aos preços. Desde que mudou a política de preços, o repasse à gasolina não é feito de maneira automática. No cálculo, é considerado outros fatores, como o preço do dólar.
Até quinta-feira o desconto do diesel da Petrobras em relação ao produto importado havia atingido cerca de 30%, a maior defasagem desde 2022, apontou o Goldman Sachs em nota aos clientes.
Petrobras: Dividendos extraordinários no radar?
Depois de anunciar R$ 8,1 bilhões em proventos, investidores tentaram entender se o patamar pode se repetir — e a diretoria reforçou que a companhia não gosta de carregar caixa “sobrando”: se enxergar um nível elevado e sem necessidade para financiar projetos, prefere devolver ao acionista.
“Reforço que nossa estratégia é gerar valor no longo prazo, conciliando investimentos e projetos de alto retorno com nossa política de dividendos”, disse o diretor financeiro (CFO), Fernando Melgarejo, ao apresentar o balanço e a proposta de distribuição.
Em meio à alta do petróleo por causa do conflito no Oriente Médio, Melgarejo admitiu que pode haver espaço para dividendos extraordinários se o caixa ficar acima do necessário.
“Se a gente entender que temos um nível elevado de caixa, a gente adoraria… fazer uma distribuição de dividendos extraordinários, desde que a gente tenha certeza que não há impacto na financiabilidade dos nossos projetos”, afirmou.
Outras petrolíferas
Mas o Bradesco não se limitou a analisar a Petrobras. Segundo os analistas, com o petróleo nas alturas, os maiores benefícios recaem sobre empresas mais alavancadas e com fluxo de caixa mais concentrado no curto prazo, como a Brava (BRAV3).
“A maior assimetria aparece em BRAV3, cujo desempenho recente não reflete integralmente o nível atual da curva futura, onde estimamos potencial de valorização adicional caso os preços do petróleo permaneçam acima dos patamares embutidos nas projeções atuais”.
Por outro lado, nomes de menor sensibilidade marginal —como PRIO (PRIO3), devido à duração mais curta de geração de caixa —tendem a capturar menor variação percentual.