Empresas

Petrobras (PETR4) quer buscar autossuficiência em diesel em 5 anos

01 abr 2026, 10:01 - atualizado em 01 abr 2026, 10:39
Petrobras PETR4 dividendos
(Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Flickr)

A Petrobras (PETR4) avalia tornar o Brasil autossuficiente em diesel em até cinco anos, em meio ao aumento da volatilidade global provocado pela guerra no Oriente Médio e pelas incertezas no fornecimento de energia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A sinalização foi feita pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante entrevista no evento CNN Talks, realizado na manhã desta quarta-feira (1), e indica uma ambição maior da estatal para reduzir a dependência externa do combustível.

Segundo a executiva, o plano de negócios atual já prevê elevar a produção de diesel em cerca de 300 mil barris por dia ao longo de cinco anos, o que permitiria atender aproximadamente 80% da demanda nacional. Ainda assim, a Petrobras passou a discutir internamente um cenário mais agressivo, que pode levar à autossuficiência.

“Nosso plano fala de chegar a 80%, mas estamos nos perguntando se podemos chegar a 100% em cinco anos. Essa é uma discussão em primeira mão”, afirmou Chambriard.

Hoje, o parque de refino da companhia responde por cerca de 70% do consumo de diesel no país, combustível central para a economia brasileira devido ao peso do transporte rodoviário. Nesse contexto, a executiva destacou que ampliar a produção doméstica reduz a exposição do Brasil à volatilidade externa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“O diesel é o principal combustível de um país que roda sobre rodas. Garantimos cerca de 70% com produção nacional”, disse.

A estratégia passa por uma expansão do parque de refino e por ajustes nas plantas para aumentar a produção de diesel e reduzir a de óleo combustível. Segundo Chambriard, a Petrobras vem promovendo mudanças em todas as refinarias, buscando direcionar o mix para produtos mais demandados e melhorar a eficiência operacional.

Entre os principais projetos, está a expansão da refinaria de Pernambuco, que deve alcançar cerca de 300 mil barris por dia, acima da capacidade originalmente prevista. Já a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, deve ganhar cerca de 100 mil barris adicionais por dia com a integração ao Polo Boaventura, ampliando sua capacidade para aproximadamente 350 mil barris por dia.

Segundo Chambriard, esse movimento está sendo replicado em todo o parque de refino, incluindo unidades em São Paulo, com foco em aumentar a oferta de diesel e gasolina. “Estamos alterando nossas plantas para entregar cada vez mais diesel e reduzir a quantidade de óleo combustível”, afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Petrobras quer avançar em gás natural

Além do refino, a Petrobras também acelera a produção e o escoamento de gás natural, com foco em ampliar a oferta doméstica e reduzir preços. A companhia elevou o volume enviado à costa de cerca de 29 milhões para aproximadamente 50 milhões de metros cúbicos por dia nos últimos meses, refletindo avanços no pré-sal.

“O que baixa o preço do gás é colocar mais gás na praça. Quanto mais oferta, menor o preço”, disse Chambriard.

No campo exploratório, a companhia também avança na Margem Equatorial, com mais de uma dezena de poços previstos entre o Rio Grande do Norte e o Amapá. Um dos poços em perfuração deve ser concluído até o fim do segundo trimestre, com a sonda sendo deslocada para uma nova área já licenciada no Nordeste.

A carteira de projetos também ganhou fôlego com a alta do petróleo, permitindo viabilizar ativos antes considerados marginais. Em Sergipe, por exemplo, duas plataformas devem somar capacidade de 200 mil barris por dia de petróleo e 18 milhões de metros cúbicos de gás, ampliando a produção da companhia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No pré-sal, a Petrobras também vem elevando a capacidade das plataformas, como no caso da unidade Almirante Tamandaré, que passou de 225 mil para 270 mil barris por dia. Segundo Chambriard, o ganho de eficiência reforça a disciplina de capital da companhia e amplia a geração de valor.

“A geração anterior gostava de petróleo. A nossa geração gosta de dinheiro”, afirmou a executiva.

Ao mesmo tempo, a Petrobras avança em iniciativas de transição energética, com projetos voltados à redução do consumo interno de gás, como a instalação de usinas solares em refinarias. Hoje, as unidades consomem cerca de 10 milhões de metros cúbicos por dia, volume que pode ser redirecionado ao mercado.

No pano de fundo, Chambriard destacou que o Brasil ainda consome menos energia per capita do que países desenvolvidos, o que indica espaço para crescimento da demanda. Para ela, a estratégia da Petrobras combina expansão da oferta, segurança energética e retorno ao acionista. “Para o consumidor, autossuficiência significa menor exposição à volatilidade externa. Para o acionista, é a garantia de um mercado enorme”, disse.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar