Petróleo

Petrobras: reduzir risco político na estatal tem um preço, diz Fitch Ratings

27 jan 2020, 20:09 - atualizado em 27 jan 2020, 20:39
Petrobras
Prós e contras: afastar políticos da gestão é elogiável, mas venda de controladas compromete caixa, diz Fitch (Imagem: REUTERS/Sergio Moraes)

A agência de análise de riscos Fitch elogiou a iniciativa da Petrobras (PETR3; PETR4) de vender ativos não estratégicos e se concentrar nas suas atividades estratégicas – exploração e produção de petróleo e gás. O efeito colateral positivo dessas vendas é a redução do risco de interferências políticas. Mas tudo tem um preço: a eventual queda na geração de caixa.

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“Embora a intenção da Petrobras de vender uma porção de sua infraestrutura downstream no Brasil seja neutra para o crédito, essa ação pode reduzir o risco de interferência política, mas a um preço”, afirma a Fitch, em relatório sobre as empresas de óleo e gás latino-americanas.

A infraestrutura “downstream” refere-se aos negócios da Petrobras, posteriores à exploração e produção de óleo e gás. O refino de combustíveis é o principal exemplo. Outro exemplo emblemático foi a venda do controle da BR Distribuidora (BRDT3), dona da rede de postos de combustíveis, em julho do ano passado, por quase R$ 10 bilhões.

Os anéis e os dedos…

A Petrobras também abriu, recentemente, o período de recebimento de propostas para a venda da fatia de 10% que ainda detém na TAG (Transportadora Associada de Gás). Em junho, a estatal já havia negociado 90% da TAG com a Engie (EGIE3), por R$ 33,5 bilhões.

Sob nova direção: BR Distribuidora foi vendida em julho de 2019 (Divulgação/BR Distribuidora)

Embora elogie essas iniciativas, a Fitch adverte que “a geração de caixa da companhia [Petrobras], provavelmente, será afetada negativamente e os preços dos desinvestimentos, provavelmente, incorporarão risco de interferência política.”

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A Fitch pondera que, de qualquer maneira, o ebitda gerado pelas atividades downstream apresentaram tendência de queda nos últimos três anos. No acumulado de janeiro a setembro de 2019, a Fitch acrescenta que o ebitda downstream representou 14% do total geral pela Petrobras. Em 2017, esses negócios representaram 33% da geração de caixa.

No relatório, Lucas Aristizabal, um dos diretores sêniores da Fitch, afirma que a tendência das notas de risco das petroleiras latino-americanas continuará em queda neste ano, já que 36% das emissões de dívidas dessas empresas tem perspectiva negativa.

“Upgrades de ratings serão limitados a características específicas de crédito, mais do que da dinâmica geral da indústria, já que apenas duas companhias possuem perspectiva positiva”, declara Aristizabal. A nota da Petrobras é BB-, com perspectiva estável, isto é, a Fitch não pretende rever a nota de crédito da estatal tão cedo.

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Diretor de Redação do Money Times
Ingressou no Money Times em 2019, tendo atuado como repórter e editor. Formado em Jornalismo pela ECA/USP em 2000, é mestre em Ciência Política pela FLCH/USP e possui MBA em Derivativos e Informações Econômicas pela FIA/BM&F Bovespa. Iniciou na grande imprensa em 2000, como repórter no InvestNews da Gazeta Mercantil. Desde então, escreveu sobre economia, política, negócios e finanças para a Agência Estado, Exame.com, IstoÉ Dinheiro e O Financista, entre outros.
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