Petróleo tem leve queda de olho nas tensões geopolíticas e Opep+ no radar
Os preços do petróleo fecharam em queda no primeiro dia de negociações em 2026, depois de registrarem a maior perda anual desde 2020, já que os investidores ponderaram as preocupações com o excesso de oferta em relação aos riscos geopolíticos, incluindo a guerra na Ucrânia e as exportações da Venezuela.
Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para março, fecharam com recuo de 0,16%, a US$ 60,75 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para fevereiro registraram queda de 0,17%, a US$ 57,32 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.
O que mexeu com o petróleo hoje?
As tensões geopolíticas pressionaram o petróleo. Considerado também um “termômetro de risco”, a commodity acompanha as movimentações em torno de um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia.
Os dois países trocaram alegações de ataques a civis no dia de Ano Novo, apesar das negociações supervisionadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que têm como objetivo pôr fim à guerra de quase quatro anos.
Kiev vem intensificando os ataques contra a infraestrutura energética russa nos últimos meses, com o objetivo de cortar as fontes de financiamento de Moscou para sua campanha militar na Ucrânia.
O governo Trump intensificou a pressão sobre o presidente venezuelano Nicolas Maduro na quarta-feira (31), com a imposição de sanções a quatro empresas e petroleiros associados que, segundo o governo, estavam operando no setor petrolífero da Venezuela. Maduro afirmou, em entrevista de Ano Novo, que seu país está disposto a receber investimentos dos EUA em seu setor petrolífero, coordenar ações no combate ao narcotráfico e manter conversas sérias com os Estados Unidos.
“Apesar de todas essas preocupações geopolíticas, o mercado de petróleo parece imperturbável. Os preços do petróleo estão estabilizados nessa faixa de negociação de longo prazo, e há uma sensação de que o mercado estará bem abastecido, independentemente do que aconteça”, disse Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group.
No Oriente Médio, uma crise entre os produtores da Opep, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, sobre o Iêmen, se aprofundou depois que os voos foram interrompidos no aeroporto de Aden na quinta-feira (1º).
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e produtores aliados (Opep+) deve se reunir no domingo (4). Segundo fontes à Reuters, o grupo provavelmente manterá a produção de petróleo estáve.
Os preços de referência Brent e WTI registraram perdas anuais de quase 20% em 2025, as mais acentuadas desde 2020, já que as preocupações com o excesso de oferta e as tarifas superaram os riscos geopolíticos. Foi o terceiro ano consecutivo de perdas para o Brent, a sequência mais longa já registrada.
*Com informações de Reuters