Petróleo dispara 5% e volta a superar US$ 85 o barril com conflito no Irã; WTI atinge maior valor desde julho de 2024
Os preços do petróleo retomaram o fôlego e fecharam em forte alta nesta quinta-feira (5) com a escalada das tensões no Oriente Médio e disputa de narrativas sobre o Estreito de Ormuz.
Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para maio fecharam com avanço de 4,93%, a US$ 85,41 barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI), para abril, registraram salto de 8,50%, a US$ 81,01 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA. O barril atingiu o maior valor desde julho de 2024.
O que mexeu com o petróleo hoje?
O conflito no Irã entrou em seu sexto dia.
Nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que Teerã não pediu um cessar-fogo aos Estados Unidos (EUA) ou a Israel.
As declarações aconteceram um dia após o jornal norte-americano The New York Times noticiar que agentes do Ministério da Inteligência iraniano entraram em contato indiretamente com o Centro de Inteligência dos EUA (CIA), oferecendo-se para discutir os termos para o fim do conflito, segundo autoridades a par da situação.
Contudo, a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim disse, ainda ontem (4), que a notícia era “uma mentira absoluta”, citando uma fonte do Ministério da Inteligência iraniano.
Também hoje, a missão iraniana na Organização dos Nações Unidas (ONU) classificou como “infundada e absurda” a alegação de que o país teria fechado o Estreito de Ormuz e acusou os EUA de colocarem em risco a segurança marítima internacional em meio à escalada do conflito.
Já a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, pela sigla em inglês) afirmou que o Estreito de Ormuz está fechado apenas a navios dos EUA, de Israel, da Europa e de outros aliados ocidentais.
- FIQUE SABENDO: O Estreito de Ormuz, controlado pelo país persa, é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do comércio mundial do óleo bruto.
Do outro lado, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou o desejo de ser envolvido na escolha do próximo líder do Irã, assim como na Venezuela, em entrevista à Reuters. “Queremos participar do processo de escolha da pessoa que vai liderar o Irã no futuro”, disse Trump. “Não precisamos voltar a cada cinco anos e fazer isso de novo e de novo. Alguém que será ótimo para o povo, ótimo para o país.”
Vale lembrar que ontem (4), a Casa Branca anunciou que Trump está discutindo com seus assessores o papel dos EUA no Irã após a campanha militar, enquanto a inteligência norte-americana monitora relatos de que Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo iraniano Ali Khamenei – que foi assassinado nos ataques no último sábado (28) – , surge como principal candidato à sucessão.
*Com informações de Reuters