Petróleo a US$ 100 não se sustenta, afirma analista do BTG; veja destaques do Giro do Mercado
A semana começou em um tom mais positivo para os mercados, com declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizando uma possível cessar-fogo na guerra contra o Irã.
No Giro do Mercado desta segunda-feira (23), a jornalista Giovana Leal recebeu Bruno Henriques, head de análise de renda variável do BTG Pactual, para repercutir os principais movimentos no mercado hoje.
Os mercados acompanham novos capítulos da guerra no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que teve conversas “muito boas e produtivas” com o Irã e decidiu adiar por cinco dias possíveis ataques contra infraestrutura energética do país. O governo iraniano, por outro lado, negou qualquer negociação.
Sobre a reação do mercado diante do novo cenário do conflito, Henriques apontou que as perspectivas estão melhores. “Ainda não temos a concretude dessa declaração, mas os mercados entenderam essa fala como uma inclinação do governo americano ao fim desse conflito”, apontou.
O especialista ainda completou indicando as possíveis motivações dos EUA para essa propensão ao cessar-fogo. “O petróleo acima de US$ 100 gera efeitos nocivos para a economia como um todo, além de afetar questões de logística na cadeia de suprimentos que podem se estender para médio e longo prazo”.
Apesar da incerteza, o petróleo chegou a cair cerca de 15% após o comunicado de Trump. Ao mesmo tempo, o dólar recuava frente ao real.
“Quando analisamos oferta, demanda e estoque, o petróleo a US$ 100 não é compatível. Várias casas globais que revisaram seu preço de petróleo recentemente, estabeleceram o preço médio para o ano a cerca de US$ 80 a US$ 85”, afirmou o especialista do BTG.
A respeito do dólar, Henriques explicou que a cotação se manteve no patamar de cerca de R$ 5,30 pelo diferencial de juros, com o fluxo estrangeiro para o Brasil se mantendo mesmo diante do contexto de guerra.
No cenário nacional, o Ibovespa subia mais de 3%, aos 182,0 mil pontos. Para Henriques, isso é reflexo do movimento de descompressão de risco que está acontecendo a nível global.
Hoje o Boletim Focus apresentou alterações na projeção para a taxa Selic em 2026 de 12,25% para 12,50%. Em partes, a mudança pode ser um reflexo da guerra, segundo Henriques.
“O mercado está recalibrando a rota após a reunião do Copom. Se o término do conflito for mais rápido, as pressões inflacionárias ligadas a combustíveis são minimizadas, o que pode ajudar. Mas, mesmo antes, outros fatores como o IPCA-15 que veio mais alto, criou uma dinâmica mais desafiadora para o Banco Central”.