Petróleo a US$ 90: Ataques contra o Irã podem pressionar preços no curto prazo
Os preços do petróleo devem entrar em uma onda de alta após Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques contra o Irã, em uma ofensiva que, segundo o presidente Donald Trump, tem como objetivo destruir o programa nuclear iraniano e enfraquecer o regime no poder.
Segundo informações do Yahoo Finance, as projeções são de que os preços da commodity podem subir entre US$ 10 e US$ 20 por barril na abertura do mercado no domingo à noite (1). Com isso, o barril do petróleo pode chegar ao patamar de US$ 90.
Os contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, subiram cerca de 2,9%, fechando acima de US$ 72,80 na sexta-feira (27). O petróleo bruto WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 2,8%, sendo negociado acima de US$ 67.
A reação do mercado vai depernder da retaliação do Irã e desenrolar do conflito. O maior temor é com um possíve fechamento do Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
Cerca de um quinto do consumo mundial da commodity atravessa essa rota, ligando grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.
O Estreito de Ormuz concentra grande parte da produção de petróleo da Opep e também do gás natural liquefeito do Catar, tornando-o vital para o abastecimento global de energia. Qualquer bloqueio ou interrupção na passagem poderia afetar diretamente o comércio internacional e pressionar os preços do petróleo no mercado mundial.
A Opep+, da qual o Irã é membro, deve avaliar a possibilidade de aprovar um aumento mais expressivo na produção de petróleo em sua reunião marcada para domingo (1) após os ataques.
Delegados e fontes próximas às discussões indicam que, além do aumento modesto de 137 mil barris por dia já considerado, há propostas para ampliar a oferta em até 411 mil barris por dia ou mais, como forma de antecipar possíveis interrupções de suprimento decorrentes da instabilidade geopolítica.
O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia, equivalente a 4% do fornecimento mundial, e exporta principalmente para a China.
Para Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria, a alta nos preços do petróleo não deve ser tão forte quanto a ocorrida no início da guerra na Ucrânia, em 2022, quando o barril atingiu US$ 100.
“O efeito sobre o preço deverá ser mais limitado porque hoje há sobreoferta de petróleo no mundo, com crescimento da demanda menor que o da oferta, além do aumento dos estoques comerciais em 2025, em torno de 500 milhões de barris”, afirma.
Ele projeta que o preço médio do barril de petróleo deve subir para o patamar entre US$ 80 e US$ 85.
Entenda o conflito no Irã
Na manhã deste sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, intensificando a tensão no Oriente Médio.
A ofensiva ocorre após semanas de ameaças do presidente Donald Trump e tem como objetivo neutralizar o que os dois países classificam como uma ameaça existencial do regime iraniano.
A imprensa iraniana relatou ataques em todo o território, enquanto Israel afirmou ter atingido dezenas de alvos militares. A capital Teerã registrou pelo menos três explosões, incluindo uma próxima à residência do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
Autoridades israelenses informaram que a primeira onda de ataques buscou atingir lideranças estratégicas do país.
O presidente Donald Trump afirmou que a operação visa defender os Estados Unidos e seus aliados de ameaças iminentes, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, descreveu a ofensiva como uma ação conjunta capaz de criar condições para que o povo iraniano “assuma seu próprio destino”.
Em retaliação, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases americanas no Bahrein, Kuwait e Catar. Explosões foram ouvidas em várias regiões do Golfo, enquanto hospitais em Teerã entraram em alerta máximo.
Israel informou estar interceptando ameaças aéreas, e o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã declarou ter iniciado uma “resposta decisiva” aos ataques.