Petróleo amplia ganhos diante de poucos sinais de progresso entre EUA e Irã
Os preços do petróleo ampliam os ganhos nesta quinta-feira (24), depois de subirem 4% na sessão anterior, enquanto as negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã não apresentaram nenhum sinal concreto de progresso.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam 19 centavos, ou 0,18%, para US$ 103,30 por barril às 4h47 (horário de Brasília), enquanto os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) estavam proticamente estáveis, com queda de 1 centavo, ou 0,01%, para US$ 92,15 por barril.
As referências de preço caíram durante as negociações da manhã de hoje na Ásia, mas depois se recuperaram, à medida que os investidores lutavam para encontrar uma direção clara em meio ao impasse geopolítico.
Irã e EUA continuam divididos sobre como pôr fim à guerra entre os dois países, mas a diplomacia deve continuar, disse uma autoridade iraniana sênior à Reuters nesta quarta-feira (23), depois que o presidente do país afirmou à Assembleia Geral das Nações Unidas que Teerã jamais se renderia à pressão dos EUA.
A autoridade disse que Teerã estava analisando a resposta de Washington às suas propostas de paz, que priorizam o levantamento de um bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos e a reabertura do Estreito de Ormuz.
No entanto, o mercado físico de petróleo está longe de uma situação totalmente normalizada, disse Priyanka Sachdeva, chefe de análise de mercado da Phillip Nova.
“O Brent mantém um prêmio geopolítico e relacionado às rotas marítimas maior, porque o petróleo bruto internacional está mais diretamente exposto às interrupções no Oriente Médio e em Ormuz, enquanto o WTI se beneficia mais de uma oferta dos EUA relativamente isolada”, acrescentou Sachdeva.
Mais cedo, o chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, disse que o Estreito de Ormuz não seria reaberto enquanto as condições do Irã não fossem atendidas.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse ontem a repórteres que um acordo com o Irã exigiria muito trabalho ao longo de um período de tempo, acrescentando que o presidente Donald Trump também tinha opções militares.
Os operadores também avaliaram possíveis restrições às exportações de diesel. Os contratos futuros de diesel com teor ultrabaixo de enxofre caíam cerca de 5% nas negociações do meio do dia, depois que o site Politico informou que o governo Trump estava preparando planos para uma proibição de 90 dias às exportações de diesel, mas a Casa Branca negou isso.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, havia dito anteriormente que uma proibição das exportações de diesel não funcionaria, embora Trump tenha dito que a apoiaria.
Analistas e observadores do mercado alertaram que tal medida faria pouco para aliviar os altos preços da energia e poderia piorar a oferta global e provocar novas perturbações nas economias.
Os estoques de destilados dos EUA, incluindo diesel e óleo para aquecimento, caíram 428 mil barris, para 107,4 milhões de barris na semana passada, mostraram dados da Administração de Informação de Energia (EIA).
Enquanto isso, os estoques de petróleo bruto dos EUA aumentaram 3 milhões de barris, para 426,4 milhões de barris na semana passada, embora analistas consultados pela Reuters esperassem uma redução de 641 mil barris.