Petróleo Brent caminha para alta mensal recorde enquanto ataques dos houthis ampliam conflito no Golfo
Os preços do petróleo ampliam os ganhos nesta segunda-feira (30), com o Brent a caminho de uma alta mensal recorde, após os houthis do Iêmen lançarem seus primeiros ataques contra Israel no fim de semana, ampliando a guerra entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio.
Os contratos futuros do Brent subiam US$ 3,85, ou 3,42%, para US$ 116,50 por barril às 04h53 (horário de Brasília), após fecharem em alta de 4,2% na sessão anterior.
O petróleo West Texas Intermediate (WTI) estava em US$ 101,88 por barril, alta de US$ 2,24, ou 2,25%, após avançar 5,5% na sessão de sexta-feira (27).
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“O mercado praticamente descartou a possibilidade de um fim negociado para a guerra, apesar das alegações de Trump sobre conversas ‘diretas e indiretas’ em andamento com o Irã, e está se preparando para uma forte escalada das hostilidades militares, o que é um sinal altista para o petróleo, com enormes incertezas quanto ao momento e à natureza do desfecho”, disse Vandana Hari, fundadora da empresa de análise do mercado de petróleo Vanda Insights.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA e o Irã têm se reunido “direta e indiretamente” e que os novos líderes iranianos têm sido “muito razoáveis”, enquanto mais tropas americanas chegam à região. Já o Exército israelense informou nesta segunda-feira que está atacando a infraestrutura do governo iraniano em toda Teerã.
O Brent disparou 59% neste mês, a maior alta mensal já registrada, superando os ganhos observados durante a Guerra do Golfo de 1990, após o conflito com o Irã praticamente fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás.
A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, espalhou-se pelo Oriente Médio, aumentando a preocupação com as rotas marítimas ao redor da Península Arábica e do Mar Vermelho.
O Exército israelense informou nesta segunda-feira que o Irã lançou múltiplas ondas de mísseis contra Israel e que um ataque também foi lançado a partir do Iêmen apenas pela segunda vez desde o início da guerra.
“O conflito não está mais concentrado no Golfo Pérsico e ao redor do Estreito de Ormuz, mas agora se estende ao Mar Vermelho e ao Bab el-Mandeb — um dos gargalos mais importantes do mundo para o fluxo de petróleo bruto e derivados”, afirmaram analistas do JP Morgan, liderados por Natasha Kaneva, em relatório.
As exportações de petróleo da Arábia Saudita redirecionadas do Estreito de Ormuz para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, atingiram 4,658 milhões de barris por dia na semana passada, segundo dados da empresa de análise Kpler.
Caso as exportações a partir de Yanbu sejam interrompidas, o petróleo saudita teria de ser redirecionado para o oleoduto Suez-Mediterrâneo (SUMED), no Egito, até o Mediterrâneo, afirmaram analistas do JP Morgan.
Os ataques na região se intensificaram durante o fim de semana e danificaram o terminal de Salalah, em Omã, apesar dos esforços para iniciar negociações de cessar-fogo.
O Irã afirmou estar pronto para responder a um ataque terrestre dos EUA, acusando Washington, neste domingo, de preparar uma ofensiva por terra, mesmo enquanto busca negociações.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, disse que foram discutidas possíveis formas de encerrar de maneira rápida e permanente a guerra na região, bem como eventuais negociações entre EUA e Irã em Islamabad.
Separadamente, a empresa vietnamita Binh Son Refining and Petrochemical informou nesta segunda-feira que está em negociações com parceiros russos para comprar petróleo bruto. A companhia também afirmou que comprará mais petróleo da África, dos EUA e do Sudeste Asiático.