Petróleo cai com melhora nas perspectivas de oferta e esperança de conversas entre EUA e Irã
Os preços do petróleo ampliam as quedas nesta quarta-feira (23), enquanto os investidores avaliavam uma melhora na oferta no Golfo depois que a Arábia Saudita retomou as operações em um oleoduto crítico.
As esperanças de uma solução diplomática para a guerra entre EUA e Irã também pressionaram os preços.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíam 35 centavos, ou 0,35%, para US$ 98,90 por barril às 5h05 (horário de Brasília), enquanto os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) recuavam 94 centavos, ou 1,04%, para US$ 89,58 por barril.
Ambos os contratos registraram queda por seis sessões consecutivas, atingindo níveis próximos às mínimas de duas semanas.
Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha advertido nesta terça-feira (22) que poderia “aniquilar” o Irã, ele também disse que seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner haviam realizado conversas produtivas com mediadores do Irã para pôr fim à guerra.
“Acho que há muito ímpeto para que eles cheguem a um acordo”, disse Trump.
O otimismo em torno da melhora da oferta e de uma iniciativa para pôr fim ao conflito, que já dura quase sete meses, levou o Brent de referência a fechar abaixo de US$ 100 por barril na terça-feira pela primeira vez desde 8 de setembro.
“O mercado está atualmente mais otimista em relação ao quadro da oferta global de petróleo do que estava algumas semanas atrás”, disse Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade.
“O encontro das delegações dos EUA e do Irã em Nova York deu aos operadores um vislumbre de esperança… Apesar da retórica dura contínua, incluindo ameaças de ‘aniquilação’, o mercado está optando por precificar a possibilidade de negociações.”
A Arábia Saudita retomou ontem as operações em seu Oleoduto Leste-Oeste até o Mar Vermelho, disseram três fontes informadas sobre o assunto, com sinais de aumento nos fluxos de petróleo do Oriente Médio.
Ataques com drones, que a Arábia Saudita atribuiu a uma milícia iraquiana, obrigaram o reino a fechar o oleoduto em 11 de setembro, interrompendo os carregamentos de petróleo bruto no porto de Yanbu, no país.
Desde que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã interrompeu os fluxos de petróleo da Arábia Saudita e de seus vizinhos do Golfo através do Estreito de Ormuz, Riad vem utilizando o oleoduto para redirecionar cerca de 4 milhões de barris por dia — aproximadamente 4% da oferta global — para Yanbu.
A Arábia Saudita também ofereceu ontem mais barris aos refinadores asiáticos para retirada em locais situados fora do Estreito de Ormuz.
O Iraque também está aumentando as exportações de petróleo, disse seu ministro do Petróleo, Basim Mohammed. O país está exportando mais de 3 milhões de barris por dia, afirmou ele, e espera elevar as exportações através da Turquia para mais de 600 mil barris por dia.
Dados preliminares das empresas de rastreamento de navios Vortexa e Kpler estimaram as exportações de petróleo bruto do Iraque em agosto em 2,3 milhões e 2,17 milhões de barris por dia, respectivamente, acima do nível de julho, mas abaixo do nível pré-guerra de fevereiro, de 3,7 milhões e 3,362 milhões de barris por dia.
Aumentando a pressão de baixa sobre os preços do petróleo, dados do setor mostraram que os estoques de petróleo bruto dos EUA aumentaram em 1,8 milhão de barris na semana encerrada em 18 de setembro. Analistas consultados pela Reuters esperavam uma queda.
Estão previstos para hoje os dados oficiais semanais sobre os estoques, divulgados pela Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA.
Trump disse ainda que apoiava a ideia de uma proibição das exportações de diesel como forma de reduzir os preços, que atingiram níveis recordes devido a uma escassez global de oferta. Mas analistas e observadores do mercado alertam que tal medida teria pouco efeito para aliviar os preços elevados da energia e poderia agravar as interrupções no fornecimento e na economia em todo o mundo.