Petróleo dá trégua em disparada e passa a cair, com possível acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã
Os preços do petróleo, que acumularam ganhos de mais de 15% nos últimos dois pregões, inverteram o sinal e operam em queda nesta quarta-feira (4).
Por volta de 10h30 (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para maio, registravam recuo de 0,26%, a US$ 81,16 barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI), para abril, tinham baixa de 0,83%, a US$ 74,01 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.
A commodity reage a um possível alívio nas tensões no Oriente Médio. O conflito no Irã entrou em seu quinto dia.
Ontem (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país que vai fornecer seguros e garantias para a segurança financeira de todo o comércio marítimo, incluindo petroleiros, que viajam pela região do Golfo, por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos.
No último sábado (28), os Estados Unidos em conjunto com Israel atacaram o Irã, com a confirmação da morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo país persa – sendo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do comércio mundial do óleo bruto.
Além disso, o mercado também precifica um eventual cessar-fogo. De acordo com o jornal norte-americano New York Times, agentes do Ministério da Inteligência iraniano entraram em contato indiretamente com o Centro de Inteligência dos EUA (CIA), oferecendo-se para discutir os termos para o fim do conflito, segundo autoridades a par da situação.
Ainda de acordo com o jornal, a tentativa de negociação aconteceu no último domingo (1º), um dia após o início dos ataques conjuntos dos EUA e de Israel.
Na avaliação da Ágora Investimentos/Bradesco BBI, a proposta não “ganhou tração” em Washington, já que Trump afirmou que é “tarde demais” para negociações com o país persa.
“O governo norte-americano parece comprometido em manter a guerra por pelo menos as quatro semanas mencionadas por Trump. No entanto, no horizonte mais longo, prolongar o conflito por meses ou anos não atende ao interesse de Washington”, avaliam os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, em relatório.