Petróleo no centro do conflito: Como a prisão de Maduro afeta os investimentos; veja análise do Giro do Mercado
Os olhares do mercado se voltaram para a tensão geopolítica entre os Estados Unidos e a Venezuela, após a captura e prisão de Nicolás Maduro durante a madrugada de sábado (03).
No Giro do Mercado desta segunda-feira (05), a jornalista Paula Comassetto recebe Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, para avaliar como a crise nas Américas impacta os investidores.
Além da repercussão política, a ação dos EUA tem gerado oscilações no preço do petróleo, uma vez que a Venezuela concentra as maiores reservas de petróleo bruto no mundo, cerca de 17% do total.
Para Quaresma, tudo indica que o governo atual vai continuar com a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, desde que esteja alinhada com os interesses americanos, o que foi dito pelo próprio Donald Trump.
“É curioso, porque, diferentemente de invasões americanas anteriores, principalmente no Oriente Médio, onde esse interesse pelo petróleo era algo velado, dessa vez o governo americano foi explícito”, afirmou a analista.
Em relação às novas expectativas do mercado perante a esse cenário, a especialista explicou que a visão para o ano não mudou.
“O risco geopolítico sempre fica um pouco no radar e deve permanecer enquanto o Trump estiver no poder. Com isso, reforçamos a posição de manter o ouro em carteira, mesmo que um percentual pequeno, como uma proteção a eventos geopolíticos. Um dos ativos que está performando melhor hoje é o ouro, juntamente com a prata”, apontou.
No cenário interno, o primeiro Relatório Focus do ano não trouxe grandes mudanças para o Brasil. Segundo o boletim, o mercado apenas revisou a projeção para a inflação (IPCA) em 2026, elevando a taxa de 4,05% para 4,06%.
Já no Ibovespa (IBOV), os principais destaques negativos ficaram com as petrolíferas, que apresentaram grande volatilidade. Brava Energia (BRAV3), Petrobras (PETR4), Petrorio (PRIO3) e PetroReconcavo (RECV3) ficaram com as maiores quedas do dia. Outras ações no negativo foram Cyrela (CYRE3) e Pão de Açúcar (PCAR3).
Do lado positivo, o programa ressaltou Localiza (RENT3), após um relatório do Citi afirmar que o ano começou com dinâmica de preços favorável para locadoras de veículos. Além disso, CVC (CVCB3), Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) e Direcional (DIRR3) foram destaques.