Petróleo segue perto de US$ 100 e Goldman Sachs eleva projeção para o Brent pela 2ª vez em um mês
Ao longo de um pouco mais de um mês, os preços do petróleo permaneceram próximos de US$ 100 por barril, em meio às incertezas sobre os conflitos no Oriente Médio.
Diante desse cenário, o Goldman Sachs voltou a elevar as projeções para o Brent em US$ 5, de US$ 85 para US$ 90 em dezembro deste ano, com a perspectiva de que as interrupções no transporte marítimo no Oriente Médio continuarão até o próximo ano. Para 2027, a estimativa foi mantida em US$ 80 por barril.
Segundo os analistas Daan Struyven, Yulia Grigsby, Alexandra Paulus e Filippo Cuscito, os riscos persistentes de interrupção da oferta provavelmente retardarão a moderação do prêmio de risco embutido nos spreads entre contratos com diferentes vencimentos (timespreads), de um pouco mais de US$ 20.
Além disso, a equipe do Goldman Sachs avalia que as exportações de petróleo do Golfo Pérsico, incluindo as exportações clandestinas estimadas (dark exports), se recuperaram recentemente para a média de 2025 e que o mercado global ficou “aproximadamente equilibrado” em setembro.
“Os preços permanecem elevados porque os riscos de interrupção da oferta, os baixos estoques e a elevada sensibilidade das taxas de juros aos preços do petróleo estão impulsionando uma forte demanda por petróleo físico para recomposição de estoques e por proteção financeira (hedging)”, destacam os analistas em relatório divulgado nesta terça-feira (13).
Para o West Texas Intermediate (WTI), referência dos EUA, o banco estima barril a US$ 81, em média, em dezembro deste ano e em US$ 73 no fim de 2027, ligeiramente abaixo da projeção divulgada há cerca de um mês.
Até onde vai o petróleo?
Para o Goldman Sachs, os riscos para a projeção continuam significativamente inclinados para cima, especialmente no curto prazo.
Sendo assim, o banco considera que o Brent pode superar US$ 125 por barril, de US$ 120 por barril anteriormente. Danos à infraestrutura petrolífera, intensificação dos ataques ao transporte marítimo e um prêmio de risco mais persistente são os gatilhos potenciais mais prováveis para uma alta dos preços.
Nesse cenário, os analistas projetam que a produção média do Golfo naquele ano permaneça em 5 milhões de barris por dia abaixo dos níveis de fevereiro de 2026, em comparação com uma diferença de 300 mil de barris por dia no cenário-base.
Do outro lado, caso haja uma recuperação mais rápida da produção no Oriente Médio e perdas de demanda mais persistentes, o Goldman Sachs considera que o barril do Brent volte a cair para a faixa de US$ 60 ao longo do próximo ano.
“Uma recuperação mais rápida da produção no Oriente Médio e/ou uma erosão mais acelerada do prêmio de risco são os gatilhos potenciais mais prováveis para uma queda dos preços”, avaliam os analistas.