Petróleo sobe e volta a bater em US$ 100 com ataques a instalações sauditas; Ormuz quase paralisado
Os preços do petróleo sobem nesta sexta-feira (10), impulsionados por novas preocupações sobre o fornecimento da Arábia Saudita e pelo fato de o tráfego de petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz permanecer em grande parte paralisado.
Ainda assim, os preços caminhavam para uma queda, à medida que as tensões diminuíam em relação a um frágil cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, enquanto Israel sinalizou uma possível abertura diplomática, afirmando estar pronto para iniciar negociações diretas com o Líbano o mais rápido possível.
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Os contratos futuros do Brent avançavam US$ 1,81, ou 1,89%, para US$ 97,73 por barril às 5h20 (horário de Brasília). Os futuros do West Texas Intermediate (WTI) subiam US$ 1,74, ou 1,78%, para US$ 99,61 por barril.
Nesta semana, ambos os contratos acumulam até agora uma queda de cerca de 11%, a maior perda semanal desde junho de 2025, quando os ataques anteriores de Israel e dos EUA contra o Irã foram interrompidos.
Ataques a instalações energéticas sauditas reduziram a capacidade de produção de petróleo do reino em cerca de 600 mil barris por dia e o fluxo no oleoduto Leste-Oeste em cerca de 700 mil barris por dia, informou nesta quinta-feira (9) a agência estatal saudita SPA, citando uma fonte oficial do Ministério da Energia.
As preocupações com novas interrupções no fornecimento de petróleo aumentaram após o relatório, disseram analistas do ANZ em nota divulgada hoje.
O tráfego de navios pelo estreito ontem ficou bem abaixo de 10% dos volumes normais, apesar do cessar-fogo, enquanto Teerã reforçava seu controle ao advertir embarcações para permanecerem em suas águas territoriais ao transitarem pela região.
Irã e Estados Unidos concordaram na terça-feira com um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão, mas combates ainda ocorriam após o anúncio.
Analistas afirmam que o Paquistão tentará avançar rumo a um acordo de paz mais duradouro, mas pode não ter a influência necessária para forçar a reabertura da via marítima estratégica.
O Irã quer cobrar taxas de navios que atravessarem o estreito como parte de um acordo de paz, disse um funcionário de Teerã à Reuters em 7 de abril. Líderes ocidentais e a agência de navegação da ONU rejeitaram a ideia.
Essa artéria crucial para o fluxo de petróleo e gás foi efetivamente interrompida pelo conflito, que começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã.
Os preços do Brent podem chegar a US$ 190 por barril se os fluxos pelo Estreito de Ormuz permanecerem no nível atual, afirmou John Paisie, presidente da consultoria de energia Stratas Advisors.
“Se o Irã permitir o aumento dos fluxos, o preço do petróleo será mais moderado, mas ainda bem acima dos níveis pré-guerra”.
Mukesh Sahdev, fundador e CEO da consultoria de energia XAnalysts, disse que a “variável-chave agora é como os fluxos pelo Estreito de Ormuz serão efetivamente retomados, não se eles serão reabertos”.
Cerca de 50 ativos de infraestrutura no Golfo foram danificados por ataques com drones e mísseis ao longo de quase seis semanas desde o início do conflito, e cerca de 2,4 milhões de barris por dia de capacidade de refino de petróleo foram retirados de operação, segundo o JPMorgan.