Petróleo: Tensão no Oriente Médio coloca pressão altista nos preços e mercado espera reação
O mercado financeiro vai abrir a semana sob expectativa de maior volatilidade no preço do petróleo após ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no fim de semana. Como as bolsas estão fechadas, a reação deve aparecer apenas na reabertura dos mercados.
Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o movimento inicial tende a ser de pressão altista sobre o barril, em meio ao aumento da tensão geopolítica no Oriente Médio.
“Não é exatamente uma novidade, já houve ataques no ano passado, mas isso eleva a tensão política e deve pressionar o petróleo”, afirma.
No curto prazo, o receio central envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela relevante do petróleo mundial. Um eventual bloqueio poderia encarecer combustíveis, elevar custos de frete e gerar impacto inflacionário global.
Segundo Cruz, em episódios semelhantes no passado, a alta da energia contribuiu para elevar a inflação nos Estados Unidos, na Europa e em outras regiões, reduzindo o espaço para cortes de juros. O reflexo costuma ser negativo para as bolsas, com abertura das curvas de juros e migração para ativos considerados mais seguros, como dólar, iene e franco suíço.
Apesar da possível alta no curtíssimo prazo, o cenário para o médio prazo pode ser diferente.
O estrategista lembra que, em 2017, quando começaram as sanções econômicas contra o Irã, o país produzia cerca de 4,1 milhões de barris por dia. Em 2026, esse volume gira em torno de 3,2 milhões. Diferentemente da Venezuela, cuja infraestrutura foi deteriorada ao longo dos anos, a estrutura iraniana permanece preservada.
Na avaliação de Cruz, caso haja uma mudança de regime político alinhada aos interesses dos Estados Unidos, o Irã poderia elevar rapidamente sua produção, possivelmente ainda no segundo semestre, retornando a patamares acima de 4 milhões de barris diários.
Se isso ocorrer, a ampliação da oferta global tenderia a pressionar o preço de equilíbrio do petróleo para baixo, com potencial efeito desinflacionário mais à frente.
“O petróleo pode subir no curtíssimo prazo, mas, se a produção aumentar, o segundo semestre pode ter preços menores”, resume.
Há ainda uma leitura política por trás do movimento. O ataque foi realizado entre sexta e sábado, fora do horário de funcionamento dos mercados, o que, na avaliação de Gustavo Cruz, não é um detalhe trivial.
“Trump faz de novo um ataque de sexta para sábado de madrugada. Ele é bem antenado ao mercado financeiro e espera o fim de semana para não afetar os preços imediatamente”, afirma o estrategista.