Empresas

PetroReconcavo (RECV3) tem 4T25 fraco e projeções para 2026 mais conservadoras: Ações caem

19 mar 2026, 12:14 - atualizado em 19 mar 2026, 12:21
petroreconcavo
(Imagem: PetroReconcavo)

A PetroReconcavo (RECV3) entregou um quarto trimestre fraco e reforçou, na teleconferência, uma postura mais conservadora para 2026, leitura que dominou a visão dos analistas sobre o balanço e a nova certificação de reservas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por volta das 11h30, as ações caíam 3,35%, a R$ 13,28.

A companhia encerrou o período entre outubro e dezembro de 2025 com receita líquida de R$ 704 milhões, queda de 17% na comparação anual e de 10% frente ao terceiro trimestre. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 295 milhões, recuo de 27% em um ano e de 16% na base trimestral. Já o lucro líquido ficou em R$ 50,7 milhões.

A produção média consolidada ficou em 25 mil barris de óleo equivalente por dia, queda de 5% ante o trimestre anterior, em um período marcado por Brent mais fraco e paralisações operacionais. Ainda assim, houve algum alívio na linha de custos, com o lifting cost caindo para US$ 14,3 por barril de petróleo ou equivalente.

Na avaliação do time do Itaú BBA, liderado por Monique Martins Greco Natal, a leitura geral do resultado foi neutra. Para os analistas, o novo certificado de reservas confirmou uma postura “mais seletiva e de menor risco” no curto prazo, com mais workovers e adiamento de parte dos investimentos que antes serviriam como “sementes para o futuro”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No mesmo sentido, Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, do BTG Pactual, afirmaram que a companhia entregou um trimestre mais fraco e uma atualização de reservas “pouco inspiradora”. Para a dupla, a produção mais fraca no curto prazo, combinada a custos mais altos à frente e capex ainda relevante, tende a pressionar a geração de caixa.

O principal ponto de atenção, porém, ficou fora do trimestre. A PetroReconcavo revisou a produção 1P de 2026 para cerca de 25 mil boe/dia, contra 30 mil boe/dia no plano anterior. No certificado, as reservas 1P (reservas provadas) caíram para 143,4 milhões de boe no Itaú e para 139,3 milhões de boe no material do BTG, enquanto o PV10 (valor presente) das reservas 1P caiu para US$ 1,93 bilhão, de US$ 2,17 bilhões antes.

Além disso, o redesenho operacional veio com mudança importante na alocação de capital. Na Bahia, o capex de 2026 caiu de US$ 61 milhões para US$ 33 milhões, enquanto em Potiguar subiu de US$ 32 milhões para US$ 64 milhões, com forte aumento do número de workovers.

PetroReconcavo defende disciplina de capital

Na teleconferência, o CEO José Firmo tentou enquadrar esse movimento como disciplina de capital, e não como perda de tração. “A expectativa desse ano que nós desenhamos foi um ano de redução de capex”, disse. Em outro momento, resumiu o plano-base da companhia em uma frase direta: “Produção flat ano a ano, redução do capex”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A mensagem foi a de uma empresa entrando em 2026 com estratégia mais defensiva, menos agressiva em perfuração e mais focada em intervenções operacionais de menor risco. “No ambiente de preço de petróleo que nós havíamos avaliado, nós tínhamos essa perspectiva: um capex bem mais baixo, uma produção flat para esse ano”, afirmou Firmo.

Ao mesmo tempo, a companhia procurou mostrar que o plano não é engessado. O executivo afirmou que a PetroReconcavo pode reagir se a recente alta do petróleo (em meio à guerra do Oriente Médio) se sustentar, mas preferiu manter cautela por enquanto. “Ainda com um nível de incerteza muito grande de qual o tempo de duração dessa mudança”, disse.

Essa flexibilidade apareceu também na discussão sobre execução. Segundo Firmo, a principal ferramenta para acelerar a produção continua sendo a perfuração. “A grande alavanca que a gente tem tá na perfuração”, afirmou.

No trimestre, o BTG destacou como ponto positivo o desempenho do midstream (tratamento), com despesas menores após a aquisição de 50% da UPGN de Guamaré e redução na compra de gás de terceiros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda assim, o banco chamou atenção para um fluxo de caixa livre de apenas R$ 13 milhões e para a alavancagem de 1,1 vez dívida líquida/Ebitda, levemente acima do trimestre anterior.

Na tele, o diretor financeiro (CFO), Rafael Procaci da Cunha, detalhou a piora da geração de caixa na comparação anual. “Quando olhamos a geração de caixa livre, vemos que em 2024 geramos cerca de R$ 1 bilhão, enquanto em 2025 o número foi de R$ 196 milhões”, afirmou. Segundo ele, o movimento refletiu “principalmente a queda do Brent e o volume mais elevado de investimentos”, além de eventos não recorrentes.

Na prática, o mercado saiu com uma mensagem dupla: a de que 2026 começa mais travado, mas também a de que há espaço para reação se o cenário melhorar. A mesma lógica apareceu na discussão sobre retorno ao acionista. Ao ser questionado sobre dividendos, Firmo respondeu de forma direta: “Sim, existe a possibilidade de um aumento de dividendos esse ano”.

Com tudo isso no radar, Itaú BBA e BTG mantiveram recomendações neutras para a companhia, com preços-alvo de R$ 12,50 e R$ 12, respectivamente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar