Banco Master

PF encontra menções a Toffoli em celular de Vorcaro e pede suspeição de ministro

12 fev 2026, 4:17 - atualizado em 12 fev 2026, 4:46
Dias Toffoli
Toffoli disse a interlocutores que recursos são lícitos e de origem da empresa familiar (Rosinei Coutinho/SCO/STF)

A Polícia Federal pediu a suspeição do ministro Dias Toffoli após encontrar menções ao nome dele no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro do Supremo Tribunal Federal é relator da investigação do caso do Banco Master.

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Por conta do novo achado a partir de perícias nos aparelhos de Vorcaro, a direção da PF optou por entregar um relatório ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

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Além de citações ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro, o site UOL noticiou que há conversas entre o próprio Vorcaro e o ministro do Supremo. A informação foi confirmada ao Estadão por pessoas com acesso ao resultado da investigação.

Em nota, o gabinete de Dias Toffoli confirmou que a Polícia Federal apresentou um pedido de declaração de suspeição para afastar o ministro do caso.

Para Toffoli, o pedido da PF está baseado em “ilações”. O gabinete acrescentou que, “juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil”. A nota também diz que a resposta de Toffoli será enviada ao presidente do STF, Edson Fachin. A defesa de Vorcaro não quis se manifestar.

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Como relator, Toffoli deveria ser o destinatário de novas informações sobre as investigações. Todavia, como ele mesmo está citado, a PF repassou o material para Fachin avaliar que medida deve ser adotada.

A agenda de Fachin registra encontro com o diretor-geral da PF, delegado Andrei Rodrigues, na segunda-feira, às 11h30. O tema do encontro anotado é genérico: “fluxo processual ordinário”.

Segundo fonte do tribunal que teve acesso ao documento, o pedido da PF destaca trechos de diálogos registrados em aparelhos de Vorcaro com menções ao nome de Toffoli. Os investigadores encaminharam o caso a Fachin porque é do presidente do STF a atribuição de despachar pedidos de suspeição contra ministros do tribunal.

O meio jurídico já vinha defendendo que Toffoli deixasse de ser relator do caso Master por conta do envolvimento de seus parentes em negócios com fundos ligados a Vorcaro. Toffoli tem resistido a abrir mão da relatoria.

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Negócios com parentes do ministro

José Carlos e José Eugênio, irmãos do ministro do STF, cederam uma fatia milionária no resort Tayaya, em Ribeirão Claro, no Paraná, a um fundo da Reag Investimentos, investigada por abrigar teias de fundos ligados ao Banco Master e suspeitos de sonegação bilionária no mercado de combustíveis.

José Carlos Dias Toffoli é padre na cidade de Marília, reduto do ministro, e José Eugênio é engenheiro e chegou a prestar serviços para a Queiroz Galvão, empreiteira envolvida na Operação Lava Jato, entre 2008 e 2015. Ele não foi denunciado na operação.

Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que a fatia dos irmãos chegou a ser de R$ 1,37 milhão na Tayaya Administração e de outros R$ 5,4 milhões na DGEP Empreendimentos.

Os dois aparecem como sócios na Maridt Participações, que detinha parte do resort no interior do Paraná. Como revelou o Estadão, o endereço da sede da empresa é uma casa de 130 metros quadrados no bairro Jardim Universitário, em Marília, interior de São Paulo.

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O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que aparece como diretor-presidente da empresa. O imóvel tem sinais de deterioração. A pintura da fachada está rachada em alguns pontos e os pisos da garagem e da calçada estão quebrados.

Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio, disse que nunca soube que sua casa foi a sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, acrescentou.

Recursos lícitos e da empresa da família

Reportagem publicada por Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo na noite desta quarta-feira mostra declarações que Toffoli teria dado a “interlocutores” sobre o caso. Segundo o texto, o ministro do STF afirmou ter recebido dinheiro de fundos ligados a Daniel Vorcaro por ser sócio da empresa familiar Maridt.

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A esses interlocutores, Toffoli teria afirmado que por ser uma empresa familiar e ele não ser administrador, sua participação na Maridt não precisa ser pública por ser uma Sociedade Anônima de livro. De qualquer forma, ele teria afirmado que todas as transferência que recebeu da empresa são lícitas, com origem e destino rastreáveis, e declaradas à Receita Federal.

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