PIB

PIB do 1T26 teve ajuda de anabolizantes? Confira o que os economistas acharam do resultado

29 maio 2026, 11:35 - atualizado em 29 maio 2026, 11:42
brasil - economia - pib
(Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

A expansão de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro primeiro trimestre de 2026 (1T26), na margem, foi influenciada por setores que não refletem o ciclo econômico, como indústria e agropecuária, e pelas medidas de estímulos do governo no consumo das famílias, avaliam economistas.

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O crescimento da atividade acelerou no período após alta de 0,3% quarto trimestre de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse ritmo de crescimento, contudo, não deve se manter à frente.

O número, apesar de positivo do ponto de vista da atividade, traz preocupações para a inflação e, consequentemente, para a trajetória da taxa Selic.

PIB deve manter ritmo de expansão?

Para o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, o destaque positivo do resultado do PIB foi o consumo das famílias (1%), após dois trimestres de quase estabilidade. O resultado, afirma, foi impulsionado pelos estímulos do governo, como a isenção do imposto de renda (IR), e uma base de comparação mais baixa.

Além de um “anabolizante” via estímulos do governo, Leal aponta que a expansão da formação bruta de capital fixo (FBCF), de 3,5%, foi impulsionada por uma plataforma de petróleo que chegou em fevereiro. “Para o PIB como um todo, isso tem um impacto 0%, entra positivo no investimento, mas sai negativo na importação. Não tem impacto líquido, mas faz com que esse número seja mais forte no FBCF”, diz.

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O setor de serviços (+0,5%), de acordo com Leal, continua avançando pela parte ligada à digitalização da economia, como informação e comunicação (+2,4%), que não reflete os efeitos de política monetária na economia.

O economista do PicPay Matheus Pizzani corrobora a visão de que o desempenho do setor de serviços foi mais fraco, com crescimento mais moderado de subgrupos mais sensíveis ao nível de ociosidade da economia, como comércio (+0,6%), no período.

Já o lado negativo do resultado do PIB, de acordo com Leal, da G5, veio da indústria de transformação, uma vez que era esperado um número melhor com a parte de produção de derivados de petróleo e indústria automobilística, como apontado na Pesquisa Industrial Mensal.

À frente, a expectativa da G5 Partners é de perda de tração da atividade, com cenário semelhante ao de anos anteriores: um PIB mais forte no primeiro trimestre e mais fraco nos seguintes. Para 2026, a estimativa é de crescimento de 2,1% para a economia.

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Na mesma linha, o cenário do Banco BV é de que o crescimento da economia perca força no segundo trimestre, com uma variação próxima à estabilidade (0,0%). O resultado, do ponto de vista da atividade foi positivo, mas traz pontos de atenção, segundo o economista do banco Carlos Lopes.

“É um resultado que mantém a preocupação do BC, com esses dados confirmando uma demanda doméstica mais forte, o que reforça a atenção elevada em relação à inflação doméstica”, diz.

Mas como o PIB afeta os juros?

Segundo Leal, da G5, o avanço do consumo das famílias, em um contexto em que já há dois choques de oferta no radar – o de petróleo e do El Niño –, reforça as preocupações em relação à inflação de serviços monitorada pelo Banco Central. “Esse PIB do primeiro trimestre não ajuda em nada a política monetária”, afirma.

Para o fim de 2026, Leal projeta a Selic em 13,5%. “No entanto, a estimativa tem viés de alta, porque está diminuindo o espaço de corte nos juros pelo BC”, complementa.

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Na avaliação do economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, o resultado do PIB do 1T26 traz uma preocupação: os estímulos fiscais e parafiscais do governo, o que atua contra o mandato do Banco Central (BC) e sugere juros mais altos.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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