Banco Central

Picchetti rejeita leitura de “leniência” do BC com meta de inflação: ‘Não estamos alongando o horizonte relevante’

25 jun 2026, 13:06 - atualizado em 25 jun 2026, 13:08
Paulo Pichetti, diretor do Banco Central
Paulo Pichetti, diretor do Banco Central (Imagem: Youtube do Banco Central)

O diretor do Banco Central Paulo Picchetti afirmou nesta quinta-feira (25) que a decisão de olhar para o horizonte mais longo das projeções de inflação não representa uma flexibilização do compromisso com a meta, mas, sim, a leitura de um choque específico que afeta o cenário atual.

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Segundo ele, o destaque ao primeiro trimestre de 2028 foi necessário para evidenciar a natureza do choque incorporado às projeções. “O fato de a gente ter chamado atenção para o primeiro tri de 2028 é porque se tornava muito clara a natureza do choque”, disse.

Picchetti rejeitou a interpretação de que isso implique maior tolerância com desvios da meta de inflação -- que é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. “Não há leniência no compromisso com a meta por ter olhado para lá”, afirmou.

O diretor explicou que o movimento de inflação observado no horizonte é comparável a um choque de oferta com dinâmica própria e efeitos temporários. “Eu penso num choque como um hematoma: você leva uma pancada e fica roxo. Esse roxo tem inércia, não tem muito o que fazer no caminho para tirar”, disse.

Ele acrescentou que esse tipo de choque não responde integralmente à política monetária. “Se a gente dobrasse ou triplicasse a Selic, não ia abrir o estreito de Ormuz”, afirmou, ao ilustrar os limites da taxa de juros diante de determinados choques externos.

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Na mesma linha, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçou a leitura de que parte da inflação recente combina choques de oferta e pressão de demanda, com impacto heterogêneo entre os componentes do IPCA.

Segundo ele, os núcleos seguem mais comportados do que o índice cheio, mas ainda acima do nível compatível com a meta, com destaque para a persistência em serviços.

Galípolo também destacou que a inflação segue elevada em perspectiva histórica e que o mercado de trabalho ainda exerce pressão relevante sobre os preços, especialmente via serviços, com salários crescendo acima da produtividade.

Picchetti reforçou que o BC não pretende alterar o horizonte relevante de forma estrutural. “A gente não está alongando o horizonte relevante e não pretende fazer isso”, disse, ao classificar o episódio como uma situação específica dentro do conjunto de comunicações recentes.

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Segundo ele, a leitura do cenário atual exige separar choques transitórios de dinâmica mais persistente da inflação, evitando respostas que poderiam gerar volatilidade excessiva na atividade econômica.

A fala ocorre em meio ao debate do mercado sobre a comunicação do Banco Central, após o Relatório de Política Monetária e a ata do Copom destacarem cenários condicionais e trajetórias alternativas para inflação e juros.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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