PicPay (PICS): Ações sobem em estreia na Nasdaq e estrategista aponta qual o catalisador de curto prazo
As ações do PicPay estrearam com alta superior a 4% na Nasdaq nesta quinta-feira (29), em um emblemático IPO que deu fim à uma seca de quase cinco anos para as estreias de empresas brasileiras nos Estados Unidos.
Por volta de 16h30 (horário de Brasília), as ações PICS subiam 2,59%, negociadas a US$ 19,49.
A fintech dos irmãos Batista tocou o sino na manhã desta quinta, após conseguir precificar sua oferta a US$ 19 por ação, atingindo o topo da faixa indicativa, que ia de US$ 16 a US$ 19. O banco digital vendeu cerca de 22,9 milhões de ações Classe A, levantando aproximadamente US$ 434 milhões (R$ 2,25 bilhões, no câmbio atual).
O valor, no entanto, ainda pode subir, uma vez que os investidores terão um prazo de 30 dias para exercer a opção de compra de mais 3,4 milhões de papéis no lote adicional. Com isso, o valor total da transação pode atingir cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões na cotação atual).
Willian Castro, estrategista-chefe da Avenue, destaca que, com o IPO do PicPay, são 35 empresas brasileiras com capital aberto nos Estados Unidos. Para ele, o marco indica a abertura de capital lá fora como um movimento consolidado e estratégico e não como uma mera aposta.
“O mercado americano é onde as empresas buscam valuations mais elevados e mais valorização para suas ações, atraindo capital de investidores internacionais”, pondera Alves.
O IPO do PicPay pode abrir caminho para mais empresas brasileiras. Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB no Brasil, pontua que uma pesquisa com investidores institucionais prevê mais de 10 IPOs brasileiros em 2026, tanto no Brasil quanto no exterior.
O Agibank, avaliado em R$9,3 bilhões no final de 2024, protocolou neste mês pedido de abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse).
O que esperar do PicPay?
O estrategista-chefe da Avenue chama atenção para o expressivo interesse de investidores na estreia do PicPay, evidenciado pela precificação da ação e demanda da oferta. Castro pondera que existe um movimento de empresas com um viés tecnológico e inovador performando bem na Bolsa americana, como é o caso do Nubank.
“Existe interesse do investidor global por esses cases e o PicPay oferece uma alternativa para isso”, diz, refletindo que, após IPO, o potencial do curto prazo está na empresa continuar entregando o atual ritmo de crescimento.
“A questão lucratividade é extremamente importante, mas em algumas empresas de tecnologia e inovação, como é o caso do próprio PicPay, a questão lucratividade pode até ficar em segundo plano, contanto que a empresa continue mostrando que existe uma avenida de crescimento”, avalia.
A capacidade de crescer receitas, clientes, entre outros, é vista pelo estrategista como o principal catalisador de curto prazo para o desempenho das ações.
“Se PicPay consegue mostrar crescimento, receita, avenidas de crescimento e conversar com o mercado, ele tem tudo para continuar performando bem. E em termos de patamar de múltiplos, a companhia estreia com múltiplo relativamente baixo para uma empresa de crescimento, o que é, no mínimo, interessante”, completa.
*Com informações da Reuters