PicPay (PICS): Citi inicia cobertura e vê pernada de valorização; veja potencial
O PicPay (PICS) estreou na bolsa com o pé esquerdo. Apesar da alta demanda da oferta de ações (IPO), o papel patina, acumulando queda de 18%. Porém, o tombo pode ser uma oportunidade de colocar no bolso potencial de 73%, segundo o Citi.
O banco iniciou a cobertura das ações com preço-alvo de US$ 28 e recomendação de compra. Segundo os analistas, a empresa negocia com preços atraentes, com preço sobre lucro (P/L) de 10,7x em 2026 e 4,6x para 2027, “o que implica um crescimento significativo dos lucros provenientes de atividades relacionadas a crédito”.
Outra vantagem é sua carteira de crédito, que, apesar de relativamente pequena, com uma participação marginal de mercado de pessoas físicas de 0,5%, abre espaço para crescimento.
Ainda segundo os analistas, as métricas continuarão controladas e, combinadas com a alavancagem operacional, ou seja, custos baixos, sustentarão o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 20% para 2026 e 31% para 2027.
“Nossa tese de investimento pressupõe que a PicPay continue expandindo sua base de clientes no Brasil, ao mesmo tempo em que aumenta a originação de crédito, buscando um mix equilibrado de empréstimos com e sem garantia e aprofundando a penetração em sua base de clientes existente”.
Ao mesmo tempo, dizem os analistas, a receita de taxas, com baixo investimento em ativos, proveniente de produtos como serviços transacionais, seguros e investimentos, deve contribuir positivamente para as margens.
Por que o PicPay caiu?
Ao todo, a companhia levantou US$ 500 milhões, com o preço saindo no topo da faixa indicativa, que variava de US$ 16 a US$ 19.
O desempenho fraco, inclusive, foi apontado como um dos fatores que levaram o AgiBank a cortar tanto o tamanho do IPO em cerca de 50% quanto a própria faixa indicativa de preço.
Além do mau humor que atingiu empresas de tecnologia no exterior, um gestor ouvido pelo Money Times avalia que o papel não chegou caro — desde que o investidor acreditasse na trajetória de lucros.
‘A expectativa implícita no preço de mercado era de uma empresa negociando a cerca de 20 vezes o lucro de 2025, caminhando para 12 vezes em 2026 e 7 vezes em 2027. Isso, por si só, não é uma exigência excessiva’, afirma.
O problema, segundo ele, está no grau de credibilidade dessa trajetória.
‘Em grande medida, ela depende de uma aceleração relevante do crédito, o que traz um risco de execução significativo e, sobretudo, um risco não desprezível de aumento da inadimplência’, diz.
PicPay: Empresas de tecnologia?
Outro ponto levantado pelo gestor diz respeito à base de investidores que entrou no IPO. Muitos foram atraídos por uma tese de ganho rápido, apostando em uma reprecificação que acabou não acontecendo.
Na avaliação dele, a história ressoou especialmente entre investidores de growth — empresas que expandem receitas e lucros muito acima da média do mercado — e de tecnologia, com a narrativa de forte crescimento à frente e potencial de monetização da base de clientes.
‘São argumentos sedutores, e muitos acreditavam que, dado o múltiplo implícito de pares globais, a ação poderia se reprecificar rapidamente. Isso não aconteceu. Os investidores que buscavam esse movimento acabaram se frustrando’, completa.
O PicPay pretende usar os recursos captados com a entrada dos novos acionistas para capital de giro, despesas operacionais, cumprimento de requisitos regulatórios e para financiar a aquisição da Kovr Seguradora.
Durante a cerimônia de listagem em Nova York, o CEO da companhia, Eduardo Chedid, destacou a trajetória da fintech desde sua origem como carteira digital até a consolidação como um banco digital completo.