Eleições 2026

Polarização definida, desistência do PSD e disputa em dois turnos: o cenário eleitoral após as últimas pesquisas

14 mar 2026, 8:00 - atualizado em 13 mar 2026, 16:24
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) (Imagem Montagem Money Times Agência Senado)
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que polarizam a disputa presidencial (Montagem Money Times/Agência Senado)

Uma quase certeza. A polarização das candidaturas entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a presidente da República dificilmente será revertida.

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Uma possibilidade. Diante do cenário com os dois candidatos acima dos 40% das intenções de voto, o PSD pode desistir de ter um nome próprio ao Planalto.

Por fim, uma hipótese ainda difícil e praticamente afastada no atual momento, a mais de sete meses do primeiro turno: sem uma terceira via e com adversários desidratados, a eleição presidencial poderia ser decidida no primeiro turno.

Esses três pontos são praticamente consenso entre analistas e cientistas políticos ouvidos pelo Money Times após as pesquisas eleitorais divulgadas desde o último sábado (7). Levantamentos de Datafolha, Meio/Ideia e Genial/Quaest ratificaram a liderança do presidente e do senador, com cenários semelhantes de empate técnico, e sem adversários competitivos.

“A polarização muito provavelmente não será revertida”, afirma Ricardo Ribeiro, analista político da 4Intelligence. Ele lembra que disputas presidenciais polarizadas são o padrão das eleições brasileiras desde 1994, sempre com o PT ocupando um dos lados.

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“Nenhuma alternativa que poderia ser chamada de terceira via frente a PT versus PSDB e, a partir de 2018, PT versus bolsonarismo, vingou. PT e bolsonarismo dominam cerca de 20% a 25% do eleitorado, de cada lado, uma barreira difícil de ser superada por outra opção”, diz.

Henrique Curi, cientista político e consultor da Metapolítica, tem a mesma avaliação e considera muito difícil algum candidato conseguir furar a polarização entre os dois líderes.

“Historicamente, Lula tem uma base petista e lulista entre 20% a 25% do eleitorado e Flávio herda eleitor mais rígido do Bolsonaro. Entre os indecisos, é muito difícil a escolha por uma terceira via e um apoio a candidatos fora desses dois nomes”, afirmou.

O cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria, completou o coro com os colegas. Para ele, a eleição presidencial de 2026 ainda vai expressar o conflito petismo-antipetismo personificado atualmente no lulismo e no bolsonarismo.

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“Os temas do debate ainda vão ser os que remontam a essa conjuntura mais recente, passando pela questão democrática, tarifas, o desgaste pessoal de Lula e Bolsonaro, de tal sorte que o espaço para novas frentes é limitado”, afirmou.

E o PSD?

Com tanta polarização e um favoritismo praticamente cristalizado de Lula e Flávio, o PSD, com três governadores como pré-candidatos – Eduardo Leite, Ratinho Junior e Ronaldo Caiado – poderia abandonar a disputa eleitoral?

“Para mim, o PSD pode abrir mão da candidatura presidencial. Um projeto nacional demanda ter um capital político nacional, algo que o PSD não tem, e o partido ganha jogando melhor nos estados”, cravou Cortez, da Tendências.

Para Ricardo Ribeiro, da 4Intelligence, a chance de o PSD desistir de apresentar candidato “não é desprezível”. Mas, com a insistência do presidente do partido, Gilberto Kassab, um desses nomes deve ser colocado na disputa. Ao menos no início. “Se esse nome não vingar minimamente até julho, pode ser que mudem de ideia”, afirmou.

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Henrique Curi, da Metapolítica, acha cedo para avaliar se o PSD renunciaria a uma candidatura, pelo fato de o partido ser a alternativa viável de centro para a disputa até o momento e com os pés nos barcos de Lula e do bolsonarismo.

“Estamos falando de um partido muito heterogêneo, que, ao mesmo tempo, está com Lula e ao lado do governo de São Paulo, (do bolsonarista) Tarcísio de Freitas. Hoje, o que parece ter sentido é ter candidatura, uma exposição ao eleitorado e fazer um capital político para 2030”, disse.

Dois turnos

Para os três analistas, mesmo com nomes pouco competitivos na disputa com Lula e Flávio, a possibilidade de uma eleição definida no primeiro turno é improvável no momento. Para Ribeiro, a desistência do PSD aumentaria a chance de não ter segundo turno, mas o cenário é improvável, de acordo com o analista.

“É pouquíssimo provável uma eleição definida no primeiro turno”, disse Curi, da Metapolítica. Segundo ele, o teto de cada um dos candidatos, abaixo dos 50% da preferência do eleitorado nas pesquisas, define isso.

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No entanto, na avaliação do analista, com o movimento de Flávio em busca de indecisos e com um discurso apaziguador, diferente do pai, o senador poderia crescer durante a campanha e vencer sem a necessidade de dois turnos.

Para Cortez, da Tendências, uma vitória de qualquer candidato no primeiro turno depende de um número expressivo de votos brancos e nulos, o que ajudaria o primeiro colocado a ter uma margem superior a 50% dos votos válidos.

“Mas, para isso, seria necessário um movimento contra os políticos e com o eleitorado não indo às urnas, o que é difícil de acontecer”, diz o cientista político.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.

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