Tecnologia

Por acidente, engenheiro assume controle de milhares de eletrodomésticos e acende alerta sobre privacidade

27 fev 2026, 14:15 - atualizado em 27 fev 2026, 14:57
Experimento com aspirador robô expõe falha que permitia acesso a casas em 24 países (Imagem gerada por IA)
Experimento com aspirador robô expõe falha que permitia acesso a casas em 24 países (Imagem gerada por IA)

O que era para ser uma simples experiência técnica acabou revelando algo muito maior, e potencialmente assustador, sobre o nível de acesso que dispositivos inteligentes podem ter ao ambiente doméstico.

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Tudo começou quando o engenheiro de software Sammy Azdoufal tentava apenas uma coisa: controlar seu aspirador de pó robô com um controle de videogame, que, à primeira vista, parecia somente um teste de personalização do aparelho.

Eis que, para isso, ele decidiu criar seu próprio aplicativo e recorreu a um assistente de programação com inteligência artificial (IA).

Acontece que, ao interagir com os servidores da fabricante do produto, Azdoufal se deparou com uma falha um tanto quanto inesperada, que lhe proporcionou, inadvertidamente, uma visão privilegiada da casa de milhares de outras pessoas.

O tamanho do problema

Não é que Azdoufal podia espiar a casa de um ou outro vizinho. A brecha deu a ele acesso a mais de 7 mil aspiradores robô espalhados por 24 países. E não se tratava apenas de ligar ou desligar os dispositivos. Muitos desses aparelhos possuem câmeras, microfones e até mapeamento detalhado das residências.

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Na prática, a falha de autenticação no sistema permitiu que ele:

  • Acessasse dados visuais do ambiente doméstico;
  • Interagisse com equipamentos de terceiros. 

Como isso foi possível

A vulnerabilidade estava na verificação de propriedade dos dispositivos. Ao tentar validar seu próprio robô, os servidores interpretaram Azdoufal como proprietário de vários aparelhos ao mesmo tempo — criando um verdadeiro “exército” de aspiradores sob o mesmo controle.

A brecha não exigia acesso físico nem técnicas avançadas de invasão (hacker), já que esses robôs dependem de servidores remotos para:

  • Receber comandos;
  • Atualizar mapas;
  • Sincronizar com aplicativos.

Parte dos dados coletados — incluindo informações visuais — é armazenada na nuvem, e não apenas no aparelho.

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O robô envolvido

O aspirador em questão é o DJI Romo, modelo lançado inicialmente na China e que vem sendo expandido para outros mercados.

Atualmente, o robô custa cerca de US$ 1.899, o que é equivalente a aproximadamente R$ 10 mil, na cotação atual.

Aspirador de pó DJI Romo (Imagem: reprodução DJI)
Aspirador de pó DJI Romo (Imagem: reprodução DJI)

De maneira geral, os usuários podem programá-lo para uso por meio de um aplicativo, mas ele foi projetado para operar de forma autônoma, utilizando sensores para:

  • Mapear ambientes;
  • Diferenciar cômodos;
  • Evitar obstáculos.

Por isso, o deslize permitiu que Azdoufal acessasse as imagens das câmeras em tempo real e ativasse seus microfones. Ele também diz que conseguiu compilar plantas baixas em 2D das casas onde os robôs operavam.

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Um alerta para a casa inteligente

O episódio vai além de um erro técnico isolado e expõe fragilidades no ecossistema de dispositivos conectados de maneira on-line.

Hoje em dia, as chamadas casas inteligentes dependem de equipamentos que estão quase sempre conectados à internet, operam em ambientes privados e armazenam dados sensíveis.

Se comprometidos, podem revelar não apenas informações digitais, mas aspectos físicos da vida doméstica — o que, nas mãos erradas, representa uma potencial mina de ouro.

Nesse caso dos aspiradores, o engenheiro optou por não explorar a vulnerabilidade e reportou o problema à fabricante, que afirmou ter corrigido a falha por meio de atualizações.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

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