Por que a Raízen (RAIZ4) é a melhor ação do agronegócio, mesmo com 1T22 fraco?

Renan Dantas
16/05/2022 - 14:57
Raízen
A Raízen também apresentou um novo guidance de Ebitda e capex para o ano fiscal de 2023 (Imagem: Raízen/Divulgação)

A Raízen (RAIZ4), apesar dos resultados fracos do primeiro trimestre de 2022, continua sendo a favorita entre analistas para o setor do agronegócio.

Nos três primeiros meses do ano, a empresa reportou lucro líquido de R$ 316 milhões, abaixo das expectativas do BTG Pactual devido a maior depreciação e ganhos não-caixa menores do que o esperado com a valorização do real.

O Ebitda, que mede o resultado operacional, também decepcionou, a R$ 1,8 bilhão, 7% abaixo das estimativas, com margens unitárias de açúcar/etanol mais baixas.

“Contudo, a qualidade dos lucros não foi tão ruim quanto os números sugerem, e o guidance em si também não foi tão ruim”, colocam os analistas Thiago Duarte, Pedro Soares e Bruno Lima, que assinam o relatório do BTG.

Parece que o mercado também entendeu assim. Por volta das 13h54, a ação da Raízen subia 3,87%, a R$ 5,37.

Destaques negativos

O Bradesco BBI diz que os destaques negativos no trimestre foram os preços do etanol e do açúcar, por não refletirem a robustez do mercado. O FCFE (fluxo de caixa) foi de R$ 7 bilhões, devido principalmente a impactos sazonais trimestrais.

Para a XP Investimentos, o segmento de açúcar foi a grande decepção, “embora o fato de uma produção menor e uma maior parcela do trading ajude a explicar a menor rentabilidade”.

“Além disso, as despesas com vendas, gerais e administrativas também nos surpreenderam negativamente, principalmente devido à pressão inflacionária nos custos de logística e frete, e também devido a provisão adicional de remuneração variável”, coloca.

Projeções

A Raízen também apresentou um novo guidance de Ebitda e capex para o ano fiscal de 2023. O Ebitda ex-IFRS16 médio é de R$ 13,5 bilhões.

“Esse número está um pouco abaixo de nossa projeção anterior e em linha com nossa nova estimativa de Ebitda”, coloca o BTG.

Para Renováveis ​​+ Açúcar, a Raízen espera Ebitda ajustado entre R$ 8,3 bilhões e R$ 9 bilhões, enquanto espera Ebitda ajustado entre R$ 4,7 bilhões e R$ 5 bilhões para marketing & serviços.

Na visão do Bradesco BBI, a nova estimativa para o ano está mais próxima do limite inferior da orientação.

Por que a Raízen continua a favorita?

Apesar de ter rebaixado o preço-alvo de R$ 11 para R$ 10, o BTG reafirmou a Raízen como a sua favorita no agronegócio.

“Acreditamos que há muito mais crescimento nos próximos anos, não apenas dos novos projetos de energia renovável (avaliados em torno de R$ 4/ação), mas também de uma maior diluição de custos, pois a Raízen melhora a produtividade da cana-de-açúcar, mantendo a execução orientada ao retorno no segmento de downstream”, coloca.

Para o banco, as ações sendo negociadas a 10x P/E (preço sobre o lucro) para a safra atual e 6,5x para o próximo ano safra, resultando em valuation atraente e um desconto de 9% para o EV/Ebitda (valor da empresa sobre resultado operacional) do ano fiscal de 2023 combinado de São Martinho (SMTO3) e Vibra (VBBR3).

Na visão da XP, a Raízen é a empresa mais preparada e impactada positivamente com a contínua mudança mundial de fontes de energia.

“Portanto, reiteramos nossa recomendação de compra em RAIZ4 e nosso preço-alvo de R$ 9,6″, coloca.

Money Times publica matérias informativas, de caráter jornalístico. Essa publicação não constitui uma recomendação de investimento.

Última atualização por Renan Dantas - 16/05/2022 - 14:58

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