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Por que o coelho entrega ovos na Páscoa? A explicação vem de séculos atrás e pode te surpreender

05 abr 2026, 9:03 - atualizado em 03 abr 2026, 9:13
Imagem mostra coelhinho da Páscoa, ovos de chocolate e um cacau.
A Páscoa vai ficar mais cara em 2026. Ilustração gerada por IA.

A Páscoa é conhecida pela celebração da ressurreição de Jesus Cristo e é uma das datas mais importantes do calendário cristão. Mas nem todos os seus símbolos têm origem religiosa. Ovos, coelhos e chocolate se tornaram parte do feriado, embora suas histórias comecem muito antes da comemoração eclesiástica.

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E, enquanto repetimos costumes todos os anos, poucos sabem que muitos deles carregam histórias curiosas que atravessam séculos.

A simbologia do ovo

Se a dúvida sobre quem veio primeiro — o ovo ou a galinha — ainda permanece sem resposta, na Páscoa há uma certeza: o ovo veio muito antes do coelho.

O ovo já era símbolo de vida e renovação em diversas civilizações antigas. Povos como os egípcios, persas e fenícios costumavam tingir ovos de galinha durante o equinócio de primavera para celebrar o fim do inverno e o início de um novo ciclo.

Séculos depois, na Idade Média, a tradição ganhou um novo significado dentro do cristianismo.

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Durante a Quaresma, a Igreja proibiu o consumo de ovos, carnes e laticínios. Como as galinhas continuavam botando ovos, os fiéis passaram a cozinhá-los e decorá-los para serem consumidos no Domingo de Páscoa, simbolizando o “túmulo vazio” de Cristo.

Assim, o ovo acabou unindo dois significados: o renascimento e a renovação, tornando-o um ícone para comemorar a ressurreição de Jesus, bem como a chegada da primavera.

Coelho, fertilidade e folclore

Se o ovo é antigo, o coelho — ou, originalmente, a lebre — entrou na história bem mais tarde.

Sua origem está na Alemanha do século XVII, e não tem relação direta com a história bíblica da Páscoa.

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Na tradição popular, a deusa da primavera e renovação, Eostre (que deu origem às palavras Ostern, em alemão e Easter, em inglês), tinha a lebre como animal preferido, principalmente por sua alta fertilidade.

Com a expansão do cristianismo pela Europa, as festividades da primavera foram sendo incorporadas e ressignificadas, passando a coincidir com a celebração religiosa.

Assim, a lebre, já associada à renovação, foi absorvida pela tradição cristã e permanece até hoje no imaginário do feriado.

Junto disso, surgiu a figura da Osterhase, uma “lebre mágica” que escondia ovos decorados para que crianças bem-comportadas encontrassem.

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Com o tempo, essa tradição foi levada pelos imigrantes alemães para países como o Brasil e os Estados Unidos, onde ganhou força e se transformou na popular “caça aos ovos”, brincadeira que permanece viva até hoje.

Mas o coelhinho da Páscoa não trabalha sozinho: na Suíça, a lenda diz que os ovos são entregues por um cuco e, em partes da Alemanha, a tarefa fica com uma raposa.

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Chocolate na Páscoa é uma tradição mais recente

Embora ovos de galinha decorados ainda sejam comuns, principalmente em países como Polônia e Ucrânia, hoje é difícil pensar em Páscoa sem chocolate.

Mas essa associação é relativamente recente.

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Foi apenas no século XVIII que confeiteiros franceses e alemães começaram a esvaziar ovos de galinha e recheá-los com chocolate. Na época era um produto raro e caro, considerado um verdadeiro artigo de luxo.

Já no século XIX, com a Revolução Industrial e o avanço tecnológico da fabricação do chocolate, surgiram os primeiros ovos de chocolate maciço e, posteriormente, os modelos ocos que conhecemos hoje.

A popularização foi rápida, e o chocolate transformou o símbolo tradicional em um presente apreciado por religiosos e não religiosos.

O que começou com lendas e rituais ligados à natureza passou a incorporar significados religiosos e, mais tarde, ganhou também um caráter cultural e comercial.

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Mas, no fim das contas, pouco importa o que veio primeiro — o ovo ou o coelho.

O que permanece é a ideia de renovação, de novos ciclos e de celebração. E talvez seja justamente isso que mantém essas tradições vivas até hoje, mesmo que seus significados tenham mudado ao longo do tempo.

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