Por que Itaú BBA, Santander e XP revisaram suas projeções para a inflação deste ano
O acirramento do conflito no Oriente Médio provocou uma revisão generalizada nas expectativas econômicas para o Brasil. Itaú BBA, Santander e XP elevaram suas projeções para a inflação de 2026 para 4,5% — há um mês, a estimativa variava entre 3,8% e 3,9%. Para 2027, as previsões também subiram, situando-se entre 4% e 4,1%.
O impacto inicial ocorre pelo preço do petróleo, que encarece diretamente a gasolina, o diesel e o querosene de aviação. Contudo, analistas alertam para um efeito cascata que atinge fretes, seguros e custos de produção, pressionando os preços de alimentos, bens industrializados e vestuário.
Crise logística e fertilizantes
A logística global enfrenta gargalos críticos. O fechamento do Estreito de Ormuz e restrições impostas por grandes exportadores, como Rússia e China, limitam a oferta de fertilizantes.
Embora a safra brasileira atual já esteja cultivada, o Itaú BBA aponta riscos para o plantio do segundo semestre, o que pode reduzir a produtividade e elevar os preços dos alimentos no futuro.
Impacto nos transportes e energia
No cenário interno, a alta do diesel já elevou o custo do frete rodoviário, gerando tensões com caminhoneiros e ameaças de greve.
No setor elétrico, embora não haja crise hídrica imediata, o Santander incorporou possíveis impactos nas tarifas devido ao risco de acionamento de termelétricas movidas a combustíveis fósseis.
Risco de inflação inercial
Especialistas demonstram preocupação com a inflação inercial: o fenômeno em que a percepção de “tudo mais caro” faz com que os preços continuem subindo mesmo após o choque inicial passar.
Para o Santander, a persistência dessas pressões pode ampliar a difusão da alta de preços ao consumidor final. A incerteza sobre a duração da guerra e o tempo necessário para a reconstrução de refinarias e gasodutos bombardeados sugerem que os efeitos econômicos podem perdurar por meses.
* Com informações de Seu Dinheiro