Economia

Por que o Brasil é o grande vencedor do petróleo caro, segundo a XP

08 abr 2026, 15:25 - atualizado em 08 abr 2026, 15:25
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(iStock.com/Lightspruch)

Nesta quarta-feira (8), os preços do petróleo desabam após o anúncio de um cessar-fogo temporário entre os Estados Unidos e o Irã. No entanto, a guerra entre os dois países fez a commodity acumular alta de mais de 50% no ano, trazendo efeitos positivos e negativos para a economia brasileira, segundo a XP Investimentos.

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Em seu relatório Macro Mensal, o banco destaca que o choque externo aumenta receitas com royalties e outras participações na produção de petróleo, eleva o superávit comercial e contribui para um câmbio mais valorizado, ajudando a mitigar parte das pressões inflacionárias recentes.

“Os preços do petróleo seguem cerca de 50% acima do início do ano. Isso sugere que é improvável que os mercados retornem à tendência pré-guerra de excesso de oferta e queda nos preços, mesmo se o Estreito de Ormuz for reaberto”, destaca o documento.

Com isso, a XP revisou a projeção para a cotação do petróleo Brent de US$ 60 para US$ 90 por barril em 2026 (média anual) e para US$ 80 em 2027.

“Produtores fora do Oriente Médio tendem a ser menos afetados, como é o caso do Brasil. Elevamos nossas projeções para receitas fiscais e superávit comercial, mesmo considerando maior valor importado de fertilizantes. A inflação aumentará — como nas demais economias —, mas será parcialmente amortecida pelo desempenho relativamente favorável da moeda brasileira”, afirma o banco.

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Ponto positivo para o Brasil

Segundo os analistas, os preços mais altos do petróleo beneficiam a balança comercial brasileira. A XP revisou a projeção da balança comercial de 2026, elevando o saldo esperado de US$ 54 bilhões para US$ 76,5 bilhões.

A arrecadação fiscal também sai ganhando, contribuindo para reduzir o déficit primário projetado, mesmo considerando medidas do governo, como subsídios a combustíveis e redução de PIS/Cofins.

“Nosso cenário já contemplava ganhos de receita decorrentes da aceleração da atividade econômica e de medidas legislativas aprovadas no ano passado. A recente alta nos preços do petróleo deve ampliar os ganhos de arrecadação com royalties e outras participações na produção da commodity.”

No câmbio, o real apresenta desempenho superior ao de seus pares, com valorização acumulada de cerca de 6% no ano. A XP ajustou sua projeção para a taxa de câmbio no final de 2026, de R$ 5,60 para R$ 5,30 por dólar.

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“O Brasil é percebido como um ‘vencedor líquido’ em cenários de alta nos preços do petróleo, o que, somado à rotação de fluxos globais para mercados emergentes, deve sustentar a moeda em patamares apreciados”, apontam os analistas.

Pressão sobre a inflação

Apesar dos efeitos positivos, o país enfrenta pressões inflacionárias. O aumento do custo de combustíveis e transporte levou a XP a elevar a projeção do IPCA de 2026 de 3,8% para 4,8%, enquanto o afrouxamento monetário perde força. Para o final do ano, a taxa Selic prevista passou de 12,75% para 13,50%.

“Essa revisão reflete, em grande medida, a disparada nos preços do petróleo. Em nossa avaliação, o choque de oferta terá efeitos persistentes, principalmente sobre combustíveis, bens industrializados e passagens aéreas. A mudança teria sido ainda mais relevante não fosse a premissa de taxa de câmbio média ligeiramente mais apreciada em relação ao cenário anterior”, afirma o relatório.

A XP aponta que a alta do petróleo terá efeito em cadeia no IPCA, com pressão maior sobre bens industrializados, cuja projeção de inflação anual passa de 2,1% para 3,2%. Entre os itens afetados estão etanol, produtos químicos, eletroeletrônicos, vestuário e subitens de higiene pessoal.

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Além disso, os reajustes nos preços de fretes têm impactado rapidamente os hortifrutigranjeiros, efeito que deve se espalhar para outros alimentos ao longo do ano.

Crescimento econômico

A economia brasileira iniciou 2026 em ritmo mais acelerado, com sinais positivos em produção industrial, vendas varejistas e serviços. No primeiro trimestre, o PIB deve ter avançado 1,0% em relação ao último trimestre de 2025, apoiado por mercado de trabalho resiliente, taxa de desemprego historicamente baixa e forte crescimento dos rendimentos nominais e reais.

Para todo o ano, a projeção de crescimento do PIB permanece em 2,0%, impulsionada também por medidas do governo, que devem adicionar cerca de 0,9 ponto percentual à variação anual.

Porém, a guerra no Oriente Médio gera incertezas, pressionando preços de combustíveis e alimentos, reduzindo a renda disponível e limitando cortes de juros, com impactos sobre consumo e investimentos privados.

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Para 2027, a estimativa de crescimento é de 1,2%, com impulso fiscal negativo e taxas de juros ainda elevadas, enquanto o hiato do produto deve se aproximar da neutralidade apenas no meio do próximo ano.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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