‘O presidente não convidou ninguém ainda’, diz Haddad sobre indicação de Guilherme Mello ao BC
Com duas vagas em aberto na diretoria do Banco Central, Fernand Haddad, ministro da Fazenda afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não convidou ninguém para os cargos na autoridade monetária.
“Posso atestar que o presidente não convidou ninguém ainda”, disse o ministro em entrevista à Rádio BandNews FM, nesta terça-feira (3).
A fala vem após informações de que o economista e atual secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello, seria um dos indicados de Haddad para uma das duas vagas da diretoria do BC.
O ministro ainda disse que chegou a indicar também o nome de Tiago Cavalcanti, membro do Trinity College da Universidade de Cambridge e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) para uma das cadeiras, há uns três meses, mas que o presidente ainda não tomou nenhuma decisão.
“O presidente ficou de nos chamar para conversar sobre isso, mas essa reunião ainda não aconteceu”, ressaltou Haddad durante a entrevista.
Em dezembro, encerraram-se os mandatos de Diogo Guillen, da diretoria de Política Econômica, e de Renato Gomes, da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
A possível indicação de Mello para o cargo tem causado desconforto do mercado por conta do seu “passado petista”. O economista foi um dos responsáveis pela elaboração do programa de governo nas eleições de 2022.
Além disso, ele é considerado um defensor da Teoria Monetária Moderna (MMT), corrente heterodoxa que sustenta que governos com controle sobre sua própria moeda não correm risco de insolvência e podem financiar seus gastos por meio da emissão monetária.
“Não entendo a animosidade em relação ao nome dele”, disse Haddad. “Ele acertou mais projeções que muitos do mercado”, completou.
Durante a entrevista, o ministro ainda defendeu a relação do governo com o Banco Central, destacando a autonomia do órgão durante todos os mandatos em que Lula esteve na presidência.