Preços do petróleo em queda com possibilidade de acordo entre EUA e Irã
Os contratos futuros do petróleo caem cerca de 1% nesta sexta-feira (29) e caminham para registrar a maior queda semanal desde o início de abril, após relatos de que os Estados Unidos e o Irã chegaram a um possível acordo para estender um cessar-fogo.
Os futuros do petróleo Brent para julho caíam 0,29%, ou 27 centavos, para US$ 93,44 por barril às 4h48 (horário de Brasília). Os futuros do petróleo do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuavam 34 centavos, ou 0,38%, para US$ 88,56 por barril.
- LEIA TAMBÉM: Tenha acesso às recomendações mais valorizadas do mercado sem pagar nada; veja como receber os relatórios semanais do BTG Pactual com o Money Times
O Brent despencou 10,5% nesta semana — a maior queda desde a semana encerrada em 6 de abril — enquanto o WTI caiu 9,2%, registrando a maior perda semanal desde a semana encerrada em 13 de abril.
Acordo de cessar-fogo
Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo nesta quinta-feira (28) para estender um cessar-fogo e suspender restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, disseram fontes à Reuters, embora o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não o tenha aprovado e a mídia estatal iraniana afirme que o acordo ainda não foi finalizado.
“O consenso continua sendo de que o conflito acabou e que um acordo está próximo. Enquanto essa narrativa permanecer, o petróleo bruto ainda tem espaço para ampliar sua queda em direção ao suporte da linha de tendência na faixa dos US$ 80 baixos”, afirmou Tony Sycamore, analista da IG.
Os preços têm apresentado forte volatilidade nas últimas sessões, variando até US$ 6 em ambos os índices de referência diante de sinais conflitantes sobre um possível fim da guerra no Irã, que já dura três meses, e sobre a possível reabertura do Estreito de Ormuz, passagem responsável por cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Recuperação ainda é incerta
O tráfego pelo estreito marítimo continua sendo apenas uma pequena fração do nível registrado antes da guerra. Analistas do ING afirmaram que a reabertura da via marítima traria algum alívio imediato ao mercado de petróleo, mas a recuperação ainda permanece incerta.
“A produção de petróleo caiu significativamente desde o início da guerra, com produtores interrompendo parte da produção para administrar limitações de armazenamento”, disse o ING em nota. “A recuperação da produção será gradual, e não imediata.”
“As refinarias da região precisam aumentar a produção. Isso levará tempo, considerando que parte dessa infraestrutura foi alvo de ataques no início do conflito.”