Preços-teto do leilão de capacidade serão corrigidos, diz Silveira; Eneva (ENEV3) sobe 6% após tombo
Após a forte reação do mercado aos preços-teto do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, que levou as ações da Eneva (ENEV3) a caírem quase 20% na véspera, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que os valores estão sendo revistos.
Durante participação no CEO Conference 2026, evento promovido pelo BTG Pactual nesta quarta-feira (11), o ministro disse que o governo passou a madrugada avaliando os números divulgados e que uma decisão pode sair ainda hoje.
“Diante do barulho que deu ontem (10) no mercado com relação aos preços-teto, nós ficamos até 1h40 [da manhã] trabalhando nisso. Nós não queremos atrasar um dia o leilão”, afirmou.
Silveira destacou que o preço-teto não é o valor final de contratação. Segundo ele, o objetivo é garantir disputa e reduzir o valor da energia.
“O preço-teto não é o preço de contratação. Nós vamos trabalhar para que haja alta competitividade e para que o preço de energia se torne o mais baixo possível”, disse.
Onde pode ter ocorrido o problema
De acordo com o ministro, os cálculos são feitos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com participação de técnicos do setor e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Ele indicou que pode ter havido uma distorção na consolidação das informações fornecidas pelos próprios agentes do mercado.
“O que eu pude perceber é que teve uma diferença muito grande para o que apresentaram os grandes players, que têm informações mais seguras sobre os custos dos empreendimentos”, afirmou.
Correção com foco em equilíbrio
O ministro reforçou que o governo federal busca um equilíbrio entre tarifas mais baixas e retorno adequado aos investidores.
“Estamos corrigindo. Tenho absoluta certeza de que vamos fazer a correção necessária para que o leilão seja competitivo, tenha remuneração justa para o investidor, mas com foco principal na modicidade tarifária”, declarou.
Mercado frustrado
Segundo o UBS BB, os valores apresentados equivalem a R$ 182 por megawatt-hora (MWh) para novos empreendimentos termelétricos e a R$ 128/MWh para usinas existentes.
Os números ficaram bem abaixo da estimativa do banco norte-americano, de R$ 275/MWh, e também do consenso de mercado, que variava entre R$ 220/MWh a R$ 300/MWh.
Além disso, especialistas apontaram que, se mantidos, os preços divulgados para as termelétricas a gás inviabilizariam a contratação.
“A taxa de R$1,6 milhão/MW é tão baixa que há uma boa chance de nenhum projeto se mostrar viável. Isso coloca o sistema (elétrico) em risco, já que a necessidade de usinas para atendimento de pico está aumentando”, escreveram os analistas do BTG Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz, em relatório.
Em meio à sinalização de possível ajuste, os papéis da Eneva (ENEV3) avançavam aproximadamente 6% por volta das 11h50 (horário de Brasília), negociados a R$ 21 na bolsa de valores. Acompanhe o tempo real.
Leilão de baterias
Durante a apresentação, Alexandre Silveira afirmou também que o governo pretende realizar até o mês de junho o primeiro leilão para incluir baterias em larga escala no sistema elétrico brasileiro.
O certame estava inicialmente previsto para abril, mas ainda não foram divulgadas as diretrizes finais, o que trava as próximas etapas do processo de licitação.
Questionado se deixará o ministério até abril, prazo para desincompatibilização de candidatos às eleições de outubro, o ministro pontuou que está aguardando uma posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).