Pressionado, Toffoli deixa caso Master; André Mendonça é sorteado novo relator no STF
O ministro Dias Toffoli não aguentou a pressão com as revelações de que recebeu dinheiro de empresas do banqueiro Daniel Vorcaro e deixou a relatoria do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal na noite desta quinta-feira (12). Em seu lugar, o ministro André Mendonça já foi escolhido por um sorteio eletrônico.
“A presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua relatoria para que a presidência promova a livre redistribuição”, afirma nota conjunta divulgada por todos os dez ministros do tribunal.
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Em uma espécie de desagravo, a nota disse que os ministros expressam “apoio pessoal” a Toffoli, “respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.
A partir de agora, os próximos passos da investigação serão comandados por Mendonça, que também é relator do inquérito que trata dos descontos indevidos de mensalidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Apesar das suspeitas que envolvem a atuação de Toffoli, o colegiado do STF validou todos os atos praticados pelo magistrado desde novembro de 2025, quando o inquérito sobre o Master, que foi alvo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central.
“Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR”, disse a nota do STF. “Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência”, ressaltou a comunicação.
Reuniões extraordinárias
A decisão de Toffoli ocorreu após uma série de conversas e de duas reuniões extraordinárias convocadas por Fachin, com a presença de Toffoli e demais ministros do Supremo.
No primeiro encontro a portas fechadas, segundo a assessoria do STF, Fachin deu ciência do relatório da que, entre outros achados, tinha menções a conversas do dono do Master, Daniel Vorcaro, que citam pagamentos para uma empresa ligada a Toffoli. Também foi apresentada a resposta dada por ele ao caso.
Antes da sessão do plenário, segundo uma fonte do Supremo, Toffoli havia afirmado aos colegas que não via razões para deixar a relatoria das investigações. Essa tentativa de convencê-lo fez com que a sessão de julgamento desta tarde começasse atrasada e fosse até abreviada para se buscar uma solução.
Uma primeira reunião ocorreu em uma sala na presidência do STF e começou às 16h15, durando até perto das 19h. Outra rodada iniciou-se por volta das 20h, durou 30 minutos e selou o destino de Toffoli.
A PF, embora não tenha pedido a suspeição do ministro do STF, havia informado no relatório que há fatos que apontariam para isso, segundo uma fonte da corporação.
Mais cedo, em uma segunda nota em menos de 24 horas, Toffoli havia admitido ter tido uma participação societária em uma empresa que realizou uma negociação imobiliária com um cunhado de Vorcaro, mas negou ter recebido “valores” do presidente da instituição bancária.
Toffoli afirmou ainda que a operação imobiliária — na qual ele recebeu dividendos como cotista e não administrador da empresa — ocorreu meses antes de ele assumir a relatoria do caso Master no STF, garantindo que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”.
Uma fonte do Supremo confirmou que a íntegra do relatório foi encaminhada pela PF para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá à PGR avaliar se ainda poderá tomar alguma medida sobre a situação envolvendo Toffoli.
Mesmo diante dessa situação, segundo uma fonte policial, o ministro do STF havia determinado que a PF enviasse a ele os dados de todos os celulares apreendidos e periciados na investigação, inclusive os das conversas de Vorcaro que o mencionariam.
Com Reuters e Agência Brasil