Proposta prevê separação da Raízen (RAIZ4) em dois negócios com capitalização
A Cosan (CSAN3) apresentou à Shell uma proposta para reestruturar a dívida da Raízen (RAIZ4), em meio ao forte aumento da alavancagem e ao prejuízo bilionário reportado pela companhia. As informações foram antecipadas pelo Brazil Journal e confirmadas pela Broadcast com fontes de mercado.
Na quinta-feira (13), a Raízen divulgou prejuízo de R$ 15,6 bilhões, reforçando a pressão sobre sua estrutura de capital. Credores, segundo as apurações, já vinham se preparando para um possível cenário de recuperação judicial.
Como funcionaria a proposta
O plano em discussão prevê a cisão da Raízen em dois negócios distintos:
- um focado exclusivamente em commodities (como açúcar e etanol);
- outro concentrado na área de distribuição de combustíveis.
A reestruturação incluiria rodadas de capitalização e a conversão de parte das dívidas em participação acionária.
Pelo desenho apresentado, o braço de commodities receberia cerca de R$ 1 bilhão da Cosan, R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto — controlador da Cosan — e aproximadamente R$ 1,5 bilhão da Shell. Até o momento, porém, a petroleira teria sinalizado baixa disposição para realizar novos aportes.
Outro pilar da operação envolveria o BTG Pactual, com um aporte estimado em R$ 5,3 bilhões por meio de fundos de private equity. Nesse formato, os recursos viriam dos investidores dos fundos, sem uso de capital próprio do banco ou de seus sócios.
Conversão de dívida em ações
Além da injeção de capital, a proposta prevê a conversão de 25% da dívida com credores em ações. Desse total, dois terços seriam trocados por participação na empresa de commodities e um terço na operação de distribuição.
A costura busca aliviar a pressão financeira da Raízen, reduzir a alavancagem e evitar medidas mais drásticas, como um pedido formal de recuperação judicial — cenário que vinha ganhando força entre credores após a divulgação do prejuízo bilionário.
*As informações são do Broadcast