Internacional

Putin propõe negociação direta de paz com a Ucrânia após três anos de guerra

11 maio 2025, 13:19 - atualizado em 11 maio 2025, 13:19
putin
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs negociações diretas com a Ucrânia (Imagem: Reuters)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs neste domingo (11) negociações diretas com a Ucrânia visando acabar com a guerra, uma iniciativa bem recebida pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, que disse que Kiev está disposta a conversar e defendeu um cessar-fogo.

Putin enviou milhares de tropas para a Ucrânia em fevereiro de 2022, desencadeando uma guerra que matou centenas de milhares de soldados e desencadeou o confronto mais grave entre a Rússia e o Ocidente desde a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962.

Com as forças russas avançando, o chefe do Kremlin ofereceu poucas ou nenhuma concessão até agora, mas propôs negociações com a Ucrânia na cidade turca de Istambul. Segundo ele, as negociações seriam realizadas sem pré-condições e visando uma paz duradoura.

“Estamos propondo que Kiev retome as negociações diretas sem quaisquer pré-condições”, disse Putin em um comunicado televisionado do Kremlin. “Propomos às autoridades de Kiev que retomem as negociações já na quinta-feira, em Istambul.”

Zelenskiy disse em uma declaração no X que era “um sinal positivo que os russos finalmente começaram a considerar o fim da guerra”, mas “o primeiro passo para realmente acabar com qualquer guerra é um cessar-fogo”.

“Esperamos que a Rússia confirme um cessar-fogo — total, duradouro e confiável — a partir de amanhã, 12 de maio, e a Ucrânia está pronta para o encontro”, disse.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que diz querer ser lembrado como um pacificador e prometeu repetidamente acabar com a guerra, afirmou que um grande dia estava amanhecendo para a Rússia e a Ucrânia se o “banho de sangue” da guerra pudesse ser encerrado.

“Um dia potencialmente grandioso para a Rússia e a Ucrânia!”, disse Trump no Truth Social. “Pensem nas centenas de milhares de vidas que serão salvas quando este ‘banho de sangue’ interminável, espero, chegar ao fim”.

A proposta de Putin para negociações diretas com a Ucrânia veio horas depois de grandes potências europeias terem exigido no sábado, em Kiev, que Putin concordasse com um cessar-fogo incondicional de 30 dias. Caso contrário, ele enfrentaria novas sanções “massivas”.

Putin rejeitou o que ele disse ser uma tentativa de algumas potências europeias de estabelecer “ultimatos”. O líder russo afirmou não descartar que, durante as negociações propostas na Turquia, ambos os lados concordem com “algumas novas tréguas, um novo cessar-fogo”, mas que seria o primeiro passo em direção a uma paz “sustentável”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sem cessar-fogo?

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que a proposta de Putin para negociações de paz diretas entre Moscou e Kiev mostrou que o líder russo está procurando um caminho a seguir, mas também está tentando ganhar tempo.

“É um primeiro passo, mas não é suficiente”, disse Macron aos repórteres ao retornar da Ucrânia na manhã deste domingo. “Um cessar-fogo incondicional não é precedido de negociações.”

A Rússia, disse Putin, propôs cessar-fogo em várias ocasiões, incluindo uma moratória sobre ataques a instalações de energia, um cessar-fogo na Páscoa e, mais recentemente, a trégua de 72 horas durante as comemorações que marcam 80 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial.

Putin afirmou que, durante o cessar-fogo de maio, a Ucrânia atacou a Rússia com 524 drones aéreos, 45 drones marítimos e vários mísseis ocidentais, com a Rússia repelindo cinco ataques contra regiões no país.

Já a Ucrânia acusou a Rússia de violar as tréguas temporárias, incluindo o cessar-fogo de 8 a 10 de maio.

Apesar do apelo de Putin por negociações de paz, a Rússia lançou neste domingo um ataque de drones contra Kiev e outras partes da Ucrânia, ferindo uma pessoa na região ao redor da capital ucraniana e danificando várias casas particulares, disseram autoridades ucranianas.

Compartilhar

reuters@moneytimes.com.br