Renda Fixa

Março turbulento: A aposta que sobreviveu à queda de quase todos os mercados

01 abr 2026, 10:04 - atualizado em 01 abr 2026, 10:38
renda fixa renda extra
XP recomenda 9 títulos de renda fixa - (Imagem: Canva Pro)

Enquanto os mercados atravessavam março como quem caminha sobre cacos de vidro, a renda fixa mais conservadora cumpriu um papel quase silencioso, mas poderoso. Em meio ao ruído, ativos atrelados ao CDI e ao Tesouro Selic mostraram por que são frequentemente chamados de “porto seguro”: entregaram retorno positivo com baixa turbulência.

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Um juro de 1,23% ao mês, por exemplo, ganha outro peso quando o resto da carteira parece derreter. Em um ambiente de forte aversão ao risco, não se tratou de ganhar muito – mas de perder menos, ou simplesmente não perder. E isso fez toda a diferença.

Março foi um mês em que praticamente nenhuma classe de ativos saiu ilesa. Nem o Ibovespa, nem os títulos públicos mais longos, nem o crédito privado escaparam das perdas. Foi um período de ajuste generalizado, com cicatrizes espalhadas por todos os lados.

Até houve exceções. O dólar e o Bitcoin fecharam no azul, com a criptomoeda subindo 5,22% no mês, acima da valorização de 1,37% da moeda americana frente ao real. Ainda assim, o trajeto esteve longe de ser tranquilo, só na última semana, o bitcoin recuou cerca de 2%, ilustrando bem o nível de volatilidade enfrentado.

Nem toda renda fixa é “fixa” no curto prazo

Dentro da própria renda fixa, o contraste foi evidente. Tirando o Tesouro Selic, nenhum título público conseguiu fechar março no positivo. O menos prejudicado foi o Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2037, com queda de 0,79%. Na outra ponta, o Tesouro IPCA+ 2050 recuou 6,49%.

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Os títulos prefixados e os indexados à inflação sofreram com a chamada marcação a mercado, um mecanismo que ajusta diariamente o preço dos papéis conforme as expectativas de juros e inflação. Quando as taxas sobem, os preços caem. E foi exatamente isso que aconteceu.

O índice IDA – Geral, que acompanha debêntures, também terminou o mês no vermelho, com queda de 0,71%, refletindo o mesmo movimento.

O que virou a chave?

O pano de fundo dessa reprecificação foi a escalada de tensões no Oriente Médio, que passou a mexer diariamente com as projeções de inflação e juros, tanto no Brasil quanto no exterior. Como esses dois fatores são essenciais para precificar ativos de renda fixa, o impacto foi direto.

Até fevereiro, o cenário era outro. A expectativa de queda de juros e inflação favorecia esses títulos. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, acumulava alta de 5,07% apenas nos dois primeiros meses do ano. Mas a mudança no ambiente global inverteu esse movimento: só em março, o papel devolveu 6,49%, zerando o ganho no ano.

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O detalhe que o investidor não pode ignorar

Apesar das oscilações, há um ponto crucial: essas variações dizem respeito ao preço dos títulos no mercado, não à rentabilidade contratada.

Para quem carrega o papel até o vencimento, a taxa acordada no momento da compra será integralmente paga. Em outras palavras, o caminho pode até ser turbulento, mas o destino permanece o mesmo.

Como ficou o ranking de março

Investimento Rentabilidade no mês Rentabilidade no ano
Bitcoin +5,22% -26,82%
Dólar PTAX +1,37% -5,13%
Tesouro Selic 2031 +1,23% +3,51%
CDI +1,10% +3,41%
Dólar à vista +0,87% -5,65%
Poupança +0,67% +2,03%
Ibovespa -0,70% +16,35%
IDA – Geral -0,71% +2,01%
Tesouro IPCA+ c/ JS 2037 -0,79%
IFIX -1,06% +2,52%
Tesouro IPCA+ 2032 -1,09%
Tesouro IPCA+ c/ JS 2045 -2,06% +1,05%
Tesouro Prefixado 2029 -2,43% +1,23%
Tesouro IPCA+ 2040 -2,50% +0,73%
Tesouro IPCA+ c/ JS 2060 -2,68% +1,08%
Tesouro Prefixado c/ JS 2037 -3,03%
Tesouro Prefixado 2032 -3,82% +0,82%
Tesouro IPCA+ 2050 -6,49% +0,06%
Ouro (GOLD11) -10,03% +2,10%
(*) Até dia 30/03.
(**) Poupança com aniversário no dia 27.
(***) Títulos públicos começaram a negociar em fevereiro de 2026 e não tem histórico de um ano.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc..

*Com informações do Seu Dinheiro

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